Trump rejeita proposta do Irã e tensão cresce no Oriente Médio

Resposta enviada pelo Irã previa cessar-fogo, fim de sanções e garantias contra novos ataques, mas foi considerada “totalmente inaceitável” pelo Trump

Crédito: RS/FotosPúblicas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou neste domingo (10) a resposta enviada pelo Irã à proposta americana para encerrar a guerra no Oriente Médio. A negativa aumenta a tensão diplomática e amplia as incertezas sobre um possível acordo de paz na região.

Em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou que leu a resposta dos “representantes” iranianos e classificou o conteúdo como “totalmente inaceitável”, sem revelar detalhes sobre os termos apresentados por Teerã.

O que o Irã propôs aos Estados Unidos

Segundo informações divulgadas pela agência estatal iraniana Irna, o Irã encaminhou sua proposta aos EUA por meio do Paquistão, que atua como mediador nas negociações.

Entre os principais pontos apresentados por Teerã estavam:

  • encerramento imediato da guerra em todas as frentes;
  • suspensão do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos;
  • garantias contra novos ataques militares;
  • retirada das sanções econômicas, incluindo restrições à exportação de petróleo iraniano.

De acordo com o jornal The Wall Street Journal, autoridades ouvidas sob anonimato afirmaram que o Irã também sugeriu reduzir parte de seu estoque de urânio enriquecido e transferir o restante para um terceiro país. Em contrapartida, o governo iraniano teria solicitado compensações pelos danos causados durante o conflito.

EUA defendem interrupção dos combates antes de acordo nuclear

A proposta inicial americana previa uma pausa nos confrontos antes da abertura de negociações mais amplas sobre o programa nuclear iraniano. O governo de Teerã, porém, rejeita discutir o fim de suas atividades nucleares sob pressão militar.

A crise acontece em meio à pressão internacional sobre Trump para conter a escalada no Oriente Médio antes de sua viagem à China, prevista para esta semana, quando deve se reunir com o presidente Xi Jinping.

Drones e ataques mantêm clima de instabilidade na região

Mesmo após um cessar-fogo parcial, a situação segue instável no Golfo Pérsico. Neste domingo, drones foram identificados em diferentes países da região.

Os Emirados Árabes Unidos afirmaram ter interceptado duas aeronaves não tripuladas vindas do Irã. Já o Qatar informou que um cargueiro foi atingido por um drone em águas territoriais do país. O Kuwait também declarou ter acionado sistemas de defesa aérea após a entrada de aeronaves não identificadas em seu espaço aéreo.

Estreito de Ormuz segue como ponto crítico da guerra

O estreito de Ormuz continua sendo um dos principais focos de tensão do conflito. Antes da guerra, iniciada em 28 de fevereiro, a rota concentrava cerca de 20% do comércio mundial de petróleo.

Apesar das restrições impostas pelo Irã à circulação marítima, um navio da QatarEnergy conseguiu atravessar o estreito em segurança rumo ao Porto Qasim, no Paquistão. Segundo autoridades locais, a autorização foi interpretada como um gesto diplomático do governo iraniano para fortalecer a confiança nas negociações mediadas por Qatar e Paquistão.

Além disso, a agência Tasnim informou que um navio graneleiro de bandeira panamenha, com destino ao Brasil, também conseguiu cruzar a região utilizando uma rota autorizada pelas Forças Armadas iranianas.

Netanyahu afirma que guerra contra o Irã “não terminou”

Em entrevista exibida neste domingo pelo programa “60 Minutes”, da CBS News, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que a guerra contra o Irã ainda está longe do fim.

Segundo Netanyahu, o Irã continua mantendo material nuclear enriquecido e instalações que, na visão israelense, precisam ser desmanteladas. O premiê afirmou ainda que Trump compartilha da mesma posição.

Já o presidente americano declarou, em entrevista à jornalista Sharyl Attkisson gravada na semana passada, que os EUA já atingiram cerca de 70% dos alvos considerados prioritários no território iraniano e que o país estaria “militarmente derrotado”.

O conflito no Oriente Médio já provocou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, além de aumentar a preocupação global com impactos no mercado de energia e na economia internacional.

  • Publicado: 10/05/2026 20:12
  • Alterado: 10/05/2026 20:12
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress