PT monta estratégia contra fake news para eleições de 2026

PT prepara ofensiva no TSE contra desinformação, mas avanço da IA e nova composição do tribunal geram preocupação

Crédito: José Cruz/Agência Brasil

O PT prepara uma estratégia para intensificar o combate à desinformação durante a campanha eleitoral de 2026. A legenda pretende ampliar o número de ações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra conteúdos considerados falsos ou enganosos envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o partido.

A iniciativa tem como base a experiência das eleições de 2022, quando o PT apresentou mais de 300 representações relacionadas à disseminação de fake news. Integrantes da sigla avaliam que a judicialização continuará sendo um dos principais instrumentos para conter ataques nas redes sociais.

Inteligência artificial e viralização desafiam fiscalização

Entre as maiores preocupações do partido está o avanço da inteligência artificial e das novas estratégias de viralização de conteúdo político. O uso de vídeos curtos e cortes compartilhados em massa ganhou força após a campanha municipal de 2024 em São Paulo.

A prática ficou associada ao então candidato Pablo Marçal, que incentivou a produção de cortes de vídeos por apoiadores mediante premiações em dinheiro. Em 2025, o TSE condenou Marçal e o tornou inelegível por oito anos por uso indevido dos meios de comunicação durante a disputa eleitoral.

Apesar da decisão, o modelo de distribuição de conteúdos por “clipadores” se profissionalizou e segue sendo utilizado para ampliar o alcance de publicações sem recorrer aos mecanismos oficiais de impulsionamento das plataformas digitais, dificultando o monitoramento eleitoral.

Mudança no comando do TSE preocupa aliados de Lula

Outro ponto de atenção do PT é a mudança na presidência do TSE. Em 2022, o tribunal era comandado pelo ministro Alexandre de Moraes, que adotou postura mais rígida no enfrentamento às fake news e ampliou parcerias com universidades e organizações de monitoramento digital.

Nas eleições de 2026, o tribunal deverá ser presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, aliados do governo avaliam que a atuação da Corte pode ser menos intervencionista no combate à desinformação.

Temas morais e ataques ao PT devem voltar ao debate

A expectativa de dirigentes petistas é que temas explorados pela campanha bolsonarista em 2022 retornem ao centro da disputa eleitoral. Entre eles estão debates sobre aborto, religião, segurança pública e acusações sem provas de ligação entre o PT e organizações criminosas.

Um dos episódios mais citados internamente ocorreu quando Lula utilizou um boné com a sigla “CPX”, abreviação popular para “complexo”. Adversários políticos associaram o termo ao crime organizado, interpretação posteriormente contestada por aliados do presidente.

Neste ano, o PT também acionou a Justiça Eleitoral contra publicações compartilhadas por políticos do PL que associavam Lula a facções criminosas e criticavam a posição do governo sobre a classificação de grupos criminosos como organizações terroristas.

Partido aposta em decisões anteriores da Justiça Eleitoral

A estratégia jurídica petista considera decisões favoráveis obtidas em eleições anteriores. Segundo levantamento interno, o partido afirma ter conquistado ao menos 78 decisões favoráveis em ações relacionadas à desinformação entre 2022 e 2026.

Entre os conteúdos removidos por determinação judicial estavam publicações que relacionavam o PT à perseguição religiosa, à manipulação das urnas eletrônicas e ao crime organizado.

A principal ação apresentada pelo partido após a eleição de 2022, no entanto, ainda aguarda julgamento. A Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) acusa integrantes da campanha de Jair Bolsonaro de estruturar uma rede coordenada de disseminação de fake news nas redes sociais.

  • Publicado: 10/05/2026 19:05
  • Alterado: 10/05/2026 19:05
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress