A realidade de mulheres e gestantes em uma sociedade de cobranças
Entre cobranças sociais desigualdade e julgamentos maternidade revela a pressão diária vivida por milhões de mulheres
- Publicado: 04/03/2026 15:12
- Alterado: 04/03/2026 15:12
- Autor: Larissa Rodrigues
- Fonte: ABCdoABC
A gente sabe que ser mulher nunca foi tarefa simples, mas quando entra a maternidade no pacote, o nível de exigência sobe para outro patamar. Desde cedo, o mundo parece ter um manual de como a gente deve ser: o corpo tem que estar no padrão, a carreira precisa ser brilhante, o relacionamento tem que ser perfeito e a vontade de ser mãe deve ser absoluta. Duvido que você, mulher, nunca tenha ouvido aquelas perguntas clássicas que parecem um roteiro decorado: “Quando vai arrumar um namorado?”, “Nossa, você engordou, né?” ou “Cuidado, o relógio biológico está correndo, vai ficar velha para engravidar”.
E o pior é que, quando o filho nasce e você decide ter cinco minutos de vida própria e sai sozinha, a primeira pergunta que surge não é “como você está?”, mas sim: “com quem você deixou o seu filho?”. É, parece que a mulher não tem um minuto de paz.
Dia Internacional da Mulher

Estamos chegando a mais um 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Mas o que exatamente vamos celebrar? Vamos celebrar a desigualdade salarial que ainda resiste em tantas empresas? As “piadinhas” machistas que muitas engolem a seco no trabalho por medo de perder o emprego? Ou quem sabe a falta de segurança que nos persegue na rua e, infelizmente, até dentro de casa? Vamos celebrar leis e medidas protetivas que, na prática, tantas vezes falham em nos proteger?
Aqui no Diário da Gestante, a gente quer olhar especialmente para essa mulher e mãe que é forçada a dar conta de tudo. Ela precisa ser a profissional exemplar, a mãe perfeita, a dona de casa impecável e a companheira atenciosa. E o detalhe: precisa fazer tudo isso sem reclamar e sem chorar, porque, se demonstrar cansaço, logo é vista como fraca.
E as gestantes? Ah, essas precisam ser “guerreiras”. Esperam que elas aguentem nove meses de dores e mudanças profundas, tanto no corpo quanto na mente, sempre com um sorriso no rosto. É irônico pensar que as mesmas pessoas que postam homenagens no domingo são as que, no dia a dia, menos valorizam esse esforço. No dia 8, as redes sociais transbordam flores para mães, irmãs e esposas, mas na segunda-feira o respeito muitas vezes desaparece.
O que mais me assusta é que esse desrespeito não vem só dos homens. Existe uma competição velada entre as próprias mulheres, e na maternidade isso fica nítido. Quando engravidei, fiquei sem acreditar ao ler comentários na internet. Vi mulheres julgando outras mulheres de forma cruel: mães que tiveram parto normal diminuindo quem fez cesárea, como se a experiência não contasse; mulheres atacando quem oferece fórmula, dizendo que ela “não foi mãe o suficiente” por não amamentar. Tinha crítica até para quem esquecia de tomar a vitamina um dia ou decidia sobre as vacinas. É um julgamento constante sobre experiências que deveriam ser individuais e respeitadas.
Então, vamos fazer um combinado para este Dia das Mulheres? Em vez de apenas dar parabéns, flores ou chocolates, ofereçam respeito e igualdade de verdade. E para as mães, que tal trocar a competição pelo apoio? Vamos trocar o julgamento pelo aprendizado compartilhado.
O melhor presente que uma mulher pode receber é saber que ela não precisa carregar o mundo nas costas sozinha e que não será julgada por ser humana.