FecomercioSP defende pausa nos cortes da taxa Selic
O avanço acelerado da inflação e a forte pressão cambial exigem que o Banco Central adote maior prudência na nova decisão de juros.
- Publicado: 04/11/2026 14:17
- Alterado: 04/11/2026 14:17
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FecomercioSP
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define hoje (4) o novo patamar da Selic. A piora nas expectativas de inflação e a pressão cambial alteraram o cenário econômico brasileiro de forma substancial desde setembro. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) defende a interrupção imediata do afrouxamento monetário.
Os indicadores de preços mais recentes acendem um alerta vermelho para a economia nacional. O IPCA-15 de outubro avançou 0,32%, movimento que empurra a inflação acumulada em 12 meses para 4,62%, patamar superior ao teto de 4,5% da meta. Alimentos, bebidas e combustíveis puxaram essa alta acelerada, diminuindo a consistência do alívio econômico.
Mudança no câmbio afeta rumos da Selic

O mercado financeiro reagiu com tensão após as eleições e o dólar sofreu forte valorização, encerrando o período cotado a R$ 5,40. A desvalorização cambial encarece produtos importados e pressiona os custos internos de produção. “A conjuntura atual não oferece condições seguras para a continuidade dos cortes”, alerta a instituição econômica em nota técnica.
O boletim Focus aponta uma deterioração clara das perspectivas inflacionárias para os próximos anos. A estimativa para o IPCA de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%, distanciando-se do centro da meta de 3%. O mercado financeiro exige credibilidade da autoridade monetária para conter a desconfiança generalizada.
Impacto externo e o preço do crédito
Dúvidas sobre os rumos das políticas fiscal e comercial nos Estados Unidos ampliam os riscos estruturais para o Brasil. Flutuações nos fluxos internacionais de capital penalizam diretamente as economias emergentes. Uma redução adicional de 0,25 ponto porcentual nos juros traria efeitos nulos sobre o estímulo produtivo.
Investidores interpretariam um novo corte da Selic como tolerância excessiva com a escalada dos preços no varejo. O custo real dos financiamentos para empresas e famílias depende fortemente da ancoragem de expectativas a longo prazo. A autoridade monetária precisa garantir segurança técnica neste momento de incerteza global.
Equilíbrio fiscal como exigência central
O governo federal precisa apresentar medidas concretas para a contenção rápida de despesas obrigatórias. A estabilização da dívida pública permanece como o fator primário para qualquer controle inflacionário sustentável. Sem um compromisso rigoroso com a responsabilidade orçamentária, o prêmio de risco bloqueia novas quedas da Selic.