Black Friday registra 29,7 mil tentativas de fraude no e-commerce

Levantamento inédito expõe avanço criminoso no varejo digital e mostra como o medo afasta milhões de consumidores das compras online.

Crédito: Divulgação

Durante a Black Friday, o comércio eletrônico brasileiro enfrentou 29.689 tentativas de fraude no e-commerce em um intervalo de apenas quatro dias. O mapeamento realizado pela Serasa Experian revela uma média implacável de 7.422 ações maliciosas diárias. Criminosos tentaram desviar cerca de R$ 30,7 milhões em compras não reconhecidas no período de pico do varejo.

Os fraudadores concentram os ataques na madrugada. Entre meia-noite e 5h, a participação proporcional dos golpes atinge o nível máximo, explorando a queda no volume de tráfego orgânico e a menor vigilância dos usuários. O ticket médio dessas investidas criminosas bateu R$ 1.034,77, um salto de 45% acima dos pedidos legítimos.

O volume colossal de transações na Black Friday cria o ambiente ideal para quadrilhas digitais operarem sob a camuflagem do alto fluxo de caixa. O evento movimentou R$ 3,5 bilhões em 4,9 milhões de pedidos oficiais. Lojistas e sistemas de segurança enfrentam uma corrida contra o tempo para filtrar ameaças sem prejudicar a jornada de compra do usuário real.

“A intensidade que impulsiona as vendas também amplia a exposição à fraude. O desafio é identificar rapidamente o que representa risco sem criar barreiras para quem está comprando de forma legítima”, alerta Eric Dhaese, vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian.

O impacto da Black Friday no comportamento de consumo

Black Friday 2026: sites de ofertas são preferência de 61,2% dos consumidores
Imagem criada por IA via chatgpt

O medo de cair em armadilhas trava o mercado nacional na Black Friday. Uma pesquisa de opinião paralela indica que 86% dos consumidores já desistiram de aproveitar ofertas temendo golpes virtuais. Sites clonados tiram o sono de mais da metade dos entrevistados, seguidos por fraudes via Pix e propagandas enganosas nas redes sociais.

A insegurança reflete um cenário de ameaças em franca expansão. Perfis falsos dobraram de volume nas semanas que antecedem as grandes liquidações. Anúncios fraudulentos dispararam quase 150%, poluindo os feeds de usuários desavisados com falsas promessas de descontos irreais.

As gerações nativas digitais surpreendem e lideram o ranking de vítimas potenciais. O relatório aponta que Gerações Y e Z concentraram 71,6% das ocorrências registradas. Somente os nascidos na Geração Y responderam por mais de oito mil tentativas de interceptação, somando nove milhões de reais em risco financeiro. A Geração Alpha, apesar de mais nova, registrou o maior ticket médio por ataque, ultrapassando a barreira dos mil e duzentos reais.

Testes com itens baratos e roubo de eletrônicos

Quadrilhas digitais adotam estratégias duplas de validação de dados. Golpistas utilizam itens de baixíssimo custo, como cadarços de tênis, para testar cartões clonados de forma discreta. Uma vez aprovada a transação mínima, eles partem para ataques em massa.

Consoles de videogame e geladeiras inteligentes dominaram os prejuízos na Black Friday do ano passado. Esses produtos de alto valor agregado somaram quase quatrocentos mil reais em tentativas de roubo, demonstrando o foco lucrativo e cirúrgico das organizações criminosas.

A sexta-feira oficial de promoções desponta como o dia de maior vulnerabilidade. Foram contabilizadas quase dez mil investidas fraudulentas em um único dia. A ameaça se estende pela Cyber Monday e contamina todo o mês de novembro, acumulando mais de cento e setenta mil ações suspeitas. O mapeamento geográfico mostra o Sudeste como o alvo absoluto, enquanto o Nordeste apresenta a maior taxa proporcional de risco.

Rotina de blindagem cibernética

Especialistas recomendam ceticismo absoluto diante de preços milagrosos e cronômetros de pressão psicológica. O consumidor deve digitar o endereço da loja diretamente no navegador e ignorar links recebidos por aplicativos de mensagens, SMS ou e-mails de remetentes desconhecidos.

As plataformas oficiais e os aplicativos credenciados continuam sendo os canais mais seguros para a inserção de dados sensíveis. O monitoramento contínuo do próprio CPF ajuda a barrar operações fantasmas antes da fatura fechar e gerar dívidas irreversíveis.

A prevenção exige tecnologia e mudança de hábitos. Com o varejo superando a marca de um milhão de pedidos diários, manter uma postura defensiva e criteriosa na internet tornou-se a única maneira viável de aproveitar os descontos da Black Friday em segurança.

  • Publicado: 04/11/2026 11:36
  • Alterado: 04/11/2026 11:37
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Serasa