FecomercioSP considera correta manutenção da Selic em 13,75%
Banco Central paralisa cortes de juros diante de incertezas pós-eleitorais e cobra estabilidade da dívida pública para retomar reduções.
- Publicado: 05/11/2026 08:24
- Alterado: 05/11/2026 08:24
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FecomercioSP
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interrompeu o ciclo de flexibilização nesta quarta-feira (4) e manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão reflete o cenário de incertezas fiscais e inflacionárias consolidado após o segundo turno das eleições presidenciais.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) avalia a pausa como prudente. A entidade defende a cautela da autoridade monetária frente às expectativas do mercado, aguardando definições sobre a equipe econômica e a estratégia do novo governo.
Impacto da inflação na meta da Selic
Os indicadores recentes bloqueiam o espaço para novas quedas. O IPCA-15 de outubro registrou alta expressiva, elevando a inflação acumulada para 4,62% em 12 meses, rompendo o teto da meta estabelecida. Alimentação e combustíveis puxaram os índices para cima.
Insistir na redução da Selic sem respaldo nos dados representaria um risco excessivo para a economia. O mercado cambial reagiu de forma intensa após o pleito eleitoral, com o dólar encerrando o período cotado a R$ 5,40, encarecendo produtos importados e repassando custos para o mercado interno.
Reflexos internacionais e desancoragem
O cenário externo adiciona volatilidade às expectativas financeiras brasileiras. As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos influenciam diretamente o fluxo de capital estrangeiro para economias emergentes. A precaução do comitê evita expor o país a choques repentinos.
O Boletim Focus já captura a deterioração contínua das projeções econômicas. A estimativa para o IPCA de 2026 subiu para 5,22%. Diante dessa desancoragem visível, a pausa nos cortes da Selic funciona como uma sinalização necessária de rigor técnico e independência institucional.
Controle de gastos dita o futuro da Selic
A preservação da credibilidade governamental deixa o caminho aberto para cortes estruturais em bases seguras. Um recuo superficial de 0,25 ponto percentual entregaria um benefício nulo para o setor produtivo e geraria forte desconfiança nos investidores globais.
“A manutenção da taxa não resolve o problema de fundo. A chave para se ter juros estruturalmente menores está no lado fiscal”, alertou a diretoria da entidade representativa do comércio paulista em comunicado.
O fim da pressão restritiva sobre o setor de serviços depende agora das ações da equipe econômica. A apresentação de medidas contundentes para conter despesas obrigatórias é o único mecanismo viável para reduzir o prêmio de risco e pavimentar um ciclo duradouro de queda para a Selic.