Dólar cai a R$ 5,45 com eleições nos EUA e taxa básica de juros
O dólar recuou para R$ 5,45 com alívio no cenário externo e expectativa pelo Copom, enquanto o Ibovespa subiu 1,23% em São Paulo
- Publicado: 04/11/2026 22:58
- Alterado: 04/11/2026 22:58
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Agência Brasil
O dólar encerrou as negociações desta quarta-feira (4) em queda de 0,64%, cotado a R$ 5,451 no mercado à vista. O resultado interrompeu uma série de três sessões seguidas de valorização da moeda norte-americana frente ao real, acompanhando a perda de força do câmbio no exterior e a reação dos investidores à conjuntura política internacional.
No cenário doméstico, a cotação do dólar oscilou ao longo do pregão sob a expectativa do anúncio da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que confirmou a manutenção da Selic em 13,75% ao ano após o término das negociações na B3.
Efeito das eleições americanas e Treasuries no exterior
O alívio na cotação internacional do dólar refletiu a repercussão das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A definição do controle no Congresso norte-americano reduziu temores sobre guinadas abruptas na condução econômica do país, pressionando para baixo os rendimentos dos títulos soberanos do Tesouro americano (Treasuries).
A descompressão no mercado global de títulos ampliou o apetite por risco e favoreceu a entrada de fluxo cambial em praças emergentes, limitando a busca pelo dólar como ativo de refúgio. O índice DXY, que mensura a força da moeda ante uma cesta de divisas internacionais, operou em desvalorização de 0,2%, aos 101,520 pontos.
Apesar do viés favorável nas bolsas mundiais, o recuo do dólar em solo brasileiro encontrou resistência na prudência fiscal dos operadores, que mantêm cautela com os rumos do orçamento público e da política econômica para o próximo exercício. Na máxima intradiária, registrada por volta das 13h30, o câmbio chegou a tocar R$ 5,498 antes de consolidar trajetória descendente.
Recuperação do Ibovespa e cotações de fechamento
Impulsionado pelo apetite externo e pela trégua na pressão sobre o dólar, o principal índice acionário da bolsa brasileira encerrou uma sequência de seis quedas consecutivas, avançando 1,23% aos 167.563,47 pontos. O movimento sustentou a recuperação de papéis do setor bancário e da mineradora Vale, atenuando a forte desvalorização das ações da Petrobras, impactadas pelo tombo de 8,67% nos contratos futuros do petróleo Brent.
O balanço consolidado dos indicadores de mercado ao final do dia registrou os seguintes parâmetros:
- Dólar comercial à vista: R$ 5,451 (-0,64%);
- Índice Ibovespa: 167.563,47 pontos (+1,23%);
- Índice DXY global: 101,520 pontos (-0,20%);
- Petróleo tipo Brent (janeiro): US$ 94,62 por barril (-8,67%).
Com o mercado fechado antes da deliberação da autoridade monetária, a oscilação do dólar na abertura da próxima sessão refletirá o comunicado oficial divulgado pelo Banco Central a respeito da condução dos juros.