Lula envia MP do ‘imposto do pecado’ sobre álcool, cigarro e refrigerante

Novo tributo federal encarece produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente a partir de 2027, com transição de alíquotas até 2028.

Crédito: Magnific

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional nesta quarta-feira (4) a medida provisória que regulamenta o Imposto Seletivo. A taxação inédita incidirá sobre produtos e atividades prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. O objetivo central do governo é encarecer itens específicos para desestimular o consumo nacional.

O parlamento aprovou a criação do imposto seletivo durante as votações da reforma tributária. A nova regra entra em vigor no início de 2027. O Ministério da Fazenda projeta uma fase de transição inicial para o mercado. A equipe econômica planeja manter a carga tributária atual intacta em 2027, aplicando os aumentos reais de alíquota apenas a partir de 2028.

Como a cobrança do Imposto Seletivo vai funcionar

Marcos Santos-USP Imagens/Fotos Públicas

A aplicação da nova taxa obedece a regras específicas para cada setor econômico afetado. A legislação garante a incidência única do tributo, eliminando o acúmulo de cobranças ao longo da cadeia produtiva até o consumidor final. A nova estruturação fiscal afetará diretamente diversas indústrias brasileiras:

  • Bebidas alcoólicas: A taxação sobe de forma proporcional ao teor de álcool de cada produto.
  • Veículos automotores: As alíquotas variam conforme o nível de poluição emitido pelo motor.
  • Outros setores: A lista oficial engloba extração de bens minerais, refrigerantes, loterias e jogos de apostas.

O início exato da arrecadação depende da regra da noventena. Esse mecanismo jurídico exige um intervalo de 90 dias antes do início da cobrança efetiva. O governo estima que o primeiro recolhimento ocorra até fevereiro de 2027. O Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) continua em vigor durante essa janela para evitar quedas na arrecadação federal.

Impacto bilionário do Imposto Seletivo nos cofres públicos

Imposto de Renda via débito automático termina neste domingo 
Reprodução

A projeção de caixa do Governo Federal indica um faturamento robusto logo no primeiro ano de vigência. O projeto do Orçamento prevê arrecadar R$ 41,9 bilhões com o tributo ao longo de 2027. A estratégia busca equilibrar as contas públicas e compensar perdas durante a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

O embasamento técnico para a criação da sobretaxa envolve relatórios de saúde pública. O Ministério da Saúde aponta prejuízos financeiros severos causados pelo consumo de itens nocivos. Os dados revelam um impacto massivo no sistema produtivo e hospitalar do país, justificando a intervenção econômica sobre os preços:

  • Tabagismo: As doenças ligadas ao cigarro geram R$ 153,5 bilhões em custos anuais ao país, enquanto a venda rende apenas R$ 8 bilhões em impostos federais.
  • Álcool: A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) calcula que o consumo provocou R$ 18,8 bilhões em perdas no ano de 2019, somando gastos médicos e queda de produtividade.
  • Bebidas ultraprocessadas: O Sistema Único de Saúde (SUS) gasta cerca de R$ 3 bilhões anuais no tratamento de doenças associadas a refrigerantes, isotônicos e refrescos.

O setor produtivo reage com preocupação às novas regras fiscais do imposto seletivo enviadas ao parlamento. Os fabricantes alertam para o risco de aumento do mercado ilegal e perda de postos de trabalho no país.

O avanço do texto no legislativo definirá o formato final das alíquotas e as isenções setoriais. Os parlamentares analisarão o impacto econômico contra os benefícios sanitários prometidos nos próximos meses. A aprovação definitiva moldará o peso real do Imposto Seletivo no bolso dos brasileiros a partir da próxima década.

  • Publicado: 05/11/2026 07:19
  • Alterado: 05/11/2026 09:13
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Assessoria