Petróleo bate US$ 115 e está perto de atingir maior alta em décadas

Tensão no Oriente Médio impulsiona cotação do barril. O risco de fechamento do Estreito de Ormuz pode elevar o preço da energia a US$ 150.

Crédito: Reprodução

O petróleo abriu a semana com forte valorização e ultrapassou a barreira dos US$ 115. Os investidores temem um choque direto na oferta global de energia. Essa escalada de preços consolida um salto histórico de 59% neste mês e marca a maior valorização do produto desde 1990.

Conflito no Oriente Médio define o rumo do petróleo

O barril Brent alcançou US$ 116,5 nas operações iniciais desta segunda-feira. O índice WTI acompanhou a tendência e superou os US$ 101. O mercado acendeu o alerta vermelho para a inflação. A energia cara sufoca o crescimento econômico e obriga bancos centrais a reverem suas estratégias de juros imediatamente.

As bolsas asiáticas sentiram o golpe logo do petróleo na abertura. O índice Nikkei fechou com queda expressiva de 2,8%. A Europa e os Estados Unidos operam em compasso de espera, sustentando ligeiras oscilações positivas após seguidas baixas.

O xadrez diplomático no Estreito de Ormuz

O presidente americano, Donald Trump, ameaçou atacar instalações iranianas caso a passagem marítima permaneça bloqueada. Cerca de 20% do óleo cru comercializado no mundo transita por essa rota militarizada. O tráfego paralisado afeta desde a gasolina nas bombas até a produção de plásticos.

O Paquistão tenta costurar um acordo diplomático urgente. O Irã ignora a mediação, denuncia preparativos americanos para uma ofensiva terrestre e amplia seu arsenal bélico nas fronteiras.

“O petróleo é o principal foco de tensão neste momento. A reabertura do estreito é vital para reduzir a volatilidade nos mercados”, analisa Eren Osman, diretor da gestora Arbuthnot Latham.

Risco de desabastecimento afeta cadeia produtiva

Matérias-primas essenciais encareceram de forma abrupta. A crise afeta o custo logístico global e contamina diversos setores da indústria.

  • Combustíveis de aviação e gás natural registraram picos de preço de forma imediata.
  • O alumínio bateu o maior nível em quatro anos após ataques aéreos no fim de semana.
  • Setores de alimentos e medicamentos preveem repasse de custos aos consumidores finais.

Projeções alertam para o barril a US$ 150

A Ásia concentra a maior vulnerabilidade na economia moderna. Países fortemente dependentes de importações energéticas do Golfo enfrentam o risco real de racionamento industrial.

O economista-chefe do JPMorgan, Bruce Kasman, traçou um horizonte pessimista para o curto prazo. O especialista calcula que os estoques globais sofrerão cortes drásticos se a paralisação avançar.

“Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maior será a redução dos estoques disponíveis de energia. Um mês a mais de bloqueio empurra o valor do barril para perto de US$ 150.”

Dólar e juros na mira dos investidores

O encarecimento do custo de vida global liga o radar das autoridades monetárias. A perspectiva de juros altos do petróleo por um longo período ganha força e paralisa investimentos de risco.

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, discursa ainda hoje e carrega a responsabilidade de acalmar os ânimos de Wall Street. Os investidores buscam pistas sobre a resiliência da economia americana.

A busca por segurança financeira fortaleceu o dólar. O índice da moeda americana atingiu a pontuação máxima de dez meses.

Intervenções cambiais no Japão trouxeram leve alívio pontual, derrubando a cotação local para 159,5 ienes, mas a incerteza predomina. O mercado continuará refém da diplomacia internacional, e a garantia de escoamento do petróleo determinará a estabilidade da economia global nas próximas semanas.

  • Publicado: 30/03/2026 11:43
  • Alterado: 30/03/2026 11:43
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Brent