Páscoa deve ter vendas semelhantes ao ano passado, diz ACSP

A disparada do chocolate e a carga tributária freiam o otimismo do varejo. O consumidor sofre com o impacto brutal da taxa de juros.

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A Páscoa de 2026 não trará o crescimento esperado pelo comércio paulista. O volume de vendas deve empatar com os resultados do ano passado. Esse cenário apático foi traçado pelas novas projeções do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), braço analítico vinculado à Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O mercado financeiro pressiona o bolso do consumidor. Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, aponta o encarecimento brutal do cacau e o alto nível de endividamento das famílias como os grandes vilões. O avanço na renda perde a força contra as taxas de juros punitivas do país.

Por que os ovos de Páscoa estão tão caros?

A inflação global ditou as regras da indústria. A disparada nos custos de produção do chocolate anulou qualquer margem de manobra dos supermercados e hipermercados. Esses grandes estabelecimentos representam os principais canais de escoamento da temporada.

O faturamento da data foca quase exclusivamente em gêneros alimentícios. Lojas especializadas sentem o baque imediato quando o trabalhador perde o poder de compra e congela o uso do crédito.

O peso silencioso dos tributos na Páscoa

O governo abocanha uma fatia indigesta da economia. Quem compra doces industrializados deixa 38,25% do valor na mesa da Receita Federal, conforme os últimos apontamentos de mercado do Impostômetro.

O vinho importado lidera o ranking de tributação, registrando uma taxa confiscatória de 64,57%. Ao adquirir uma garrafa de R$ 54,38, o cliente entrega R$ 35,11 apenas em taxas estatais. O rótulo nacional retém 45,56% em encargos.

A fuga para o trabalho artesanal nesta Páscoa não anula o choque tributário. Microempreendedores enfrentam uma cascata de tarifas embutidas na produção independente.

Os insumos básicos acumulam encargos agressivos que devoram a margem de lucro de quem tenta uma renda extra:

  • Papel celofane: 39,11%
  • Fita adesiva: 40,06%
  • Chocolate puro: 38,25%

O sistema de impostos castiga ferozmente quem ganha menos. João Eloi Olenike, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), repudia essa lógica punitiva ancorada no consumo.

A população de baixa renda destina uma fração muito maior do salário para o fisco. Essa distorção estrutural bloqueia o acesso das classes menos favorecidas aos itens de qualidade superior.

Planejamento financeiro domina o varejo

O brasileiro precisa reorganizar o orçamento doméstico com urgência. A estagnação projetada para a Páscoa escancara uma drástica mudança de comportamento focada na pura sobrevivência financeira. Comprar ovos de chocolate ou vinhos exige hoje muito mais do que vontade, demanda ginástica matemática diária para driblar a pesada tributação do Brasil.

  • Publicado: 24/03/2026 19:12
  • Alterado: 24/03/2026 19:12
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: ACSP