Lula acompanha entrega de caça supersônico F-39E Gripen
Com a presença de Lula, caça supersônico F-39E Gripen produzido no Brasil marca avanço tecnológico e reforça a soberania nacional
- Publicado: 25/03/2026 17:36
- Alterado: 25/03/2026 17:38
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: GOV/BR
A apresentação do primeiro caça supersônico produzido em território nacional, o F-39E Gripen, nesta quarta-feira (25/03), no Aeródromo da Embraer em Gavião Peixoto (SP), consolida um marco inédito para a indústria de defesa do Brasil. Com a iniciativa, o país passa a integrar o seleto grupo de nações capazes de desenvolver e fabricar aeronaves de combate de alta complexidade, sendo o primeiro da América Latina a dominar essa tecnologia.
O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que destacou o simbolismo do momento ao acompanhar o voo da aeronave. “Hoje, o céu do Brasil é palco de um momento histórico. Voei escoltado pelo primeiro Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania”, afirmou, nas redes sociais.
Hoje o céu do Brasil é palco de um momento histórico. 🇧🇷✈️
— Lula (@LulaOficial) March 25, 2026
Voei escoltado pelo primeiro Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania.
🎥 @ricardostuckert pic.twitter.com/nVlhRsVZYs
Programa estratégico e investimento bilionário
A produção do caça supersônico integra o Programa FX-2, responsável pelo reequipamento da frota da Força Aérea Brasileira (FAB). Iniciado em 2014, o projeto prevê investimentos de R$ 28,5 bilhões até 2033, incluindo aquisição, produção das aeronaves e transferência de tecnologia. Dentro do Novo PAC (2023-2030), estão previstos R$ 10,5 bilhões.
Ao todo, foram contratadas 36 aeronaves, das quais 15 serão produzidas no Brasil, na unidade da Embraer em Gavião Peixoto.
O vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou o impacto estratégico do programa. “O presidente Lula tem fortalecido a indústria brasileira e a indústria da defesa está na vanguarda da inovação. A indústria da defesa é um seguro para a soberania nacional”, afirmou durante a cerimônia.
Transferência de tecnologia e protagonismo industrial
Resultado de parceria com a sueca Saab, o projeto envolve ampla transferência de tecnologia, capacitação de engenheiros e desenvolvimento da indústria nacional. O F-39E Gripen acumula mais de um milhão de horas entre desenvolvimento, produção, testes e suporte, além de cerca de 600 mil horas de treinamento.
Durante o evento, o presidente Lula participou do batismo da aeronave ao lado de autoridades como o ministro da Defesa, José Múcio, o comandante da Aeronáutica, Marcelo Damasceno, e executivos das empresas envolvidas.
Para o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, o projeto abre novas perspectivas internacionais. “Essa cooperação fortaleceu a capacidade industrial e tecnológica do Brasil e abriu novas oportunidades internacionais. Esta planta de Gavião Peixoto está plenamente preparada para fabricar novos Gripens para outros países. Estamos fortemente engajados no sucesso do programa em futuras exportações, incluindo oportunidades na Colômbia e em outros mercados”, afirmou.
Já o presidente da Saab, Micael Johansson, destacou o caráter histórico da produção fora da Suécia. “Essa é a primeira vez desde 1937, quando a Saab foi fundada, que um caça é feito fora da Suécia”, ressaltou. “Este momento representa muito mais do que a entrega de uma aeronave. Isso reflete uma parceria construída na confiança, ambição compartilhada e uma relação de longo prazo. Resultado de uma colaboração próxima entre a Força Aérea brasileira e a indústria brasileira”, completou.
Capacidades operacionais e modernização da FAB
Classificado como caça multiemprego, o Gripen amplia significativamente a capacidade operacional da FAB. A aeronave é apta a realizar missões de defesa aérea, controle do espaço aéreo, reconhecimento, inteligência, interdição e ataque ao solo.
Equipado com radar de última geração, mísseis de longo alcance e sistemas avançados de guerra eletrônica e comunicação, o modelo também possui versões monoposto e biposto — esta última uma especificidade do programa brasileiro.
O ministro da Defesa, José Múcio, celebrou o cumprimento do cronograma. “O plano de entrega de aeronaves do projeto Gripen fazia previsão de contemplar em 2026 as primeiras aeronaves produzidas no Brasil. Essa entrega é uma realidade no dia de hoje e estamos aqui para testemunhar esse feito histórico e que nos emociona”, afirmou.
Impacto econômico e geração de empregos
O Programa Gripen deve gerar cerca de 13 mil empregos no Brasil, sendo aproximadamente 2.200 diretos e 10.800 indiretos. Além da Embraer e da Saab, participam do projeto empresas brasileiras como AEL Sistemas, Akaer e Atech, responsáveis por diferentes sistemas e componentes da aeronave.
Parte da estrutura do caça, incluindo fuselagem e componentes aerodinâmicos, é produzida em São Bernardo do Campo (SP), reforçando a cadeia produtiva nacional e reduzindo a dependência externa.
O comandante da Aeronáutica, Marcelo Damasceno, destacou o simbolismo do avanço tecnológico. “Esse marco histórico, representado por esta aeronave, simboliza a transição do planejamento à execução, bem como da expectativa à realidade. Mais do que isso, atesta o ineditismo do nosso Brasil na produção de caças supersônicos entre os países do Hemisfério Sul e da América Latina, consolidando a indústria nacional como referência continental na fabricação deste vetor de superioridade aérea”, afirmou.
Projeção internacional e novos mercados
A expectativa do governo e das empresas envolvidas é que o Brasil se torne também exportador do Gripen, utilizando a estrutura instalada para atender outros países, especialmente na América Latina.
A linha de produção nacional foi inaugurada em 2023 e já está preparada para futuras encomendas internacionais, o que pode ampliar ainda mais os impactos econômicos e tecnológicos do programa.
Infraestrutura e inovação
Durante a visita, o presidente também conheceu a pista da Embraer em Gavião Peixoto, considerada a maior do Hemisfério Sul, com cinco quilômetros de extensão, utilizada para testes de aeronaves.
Outro destaque foi a demonstração do eVTOL desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, voltado à mobilidade aérea urbana. O protótipo elétrico, conhecido como “carro voador”, está em fase avançada de desenvolvimento e realiza testes de voo desde dezembro de 2025.