Lula cobra G7 por igualdade e critica cortes na ajuda global
Em discurso na Cúpula do G7, o presidente Lula criticou o encolhimento da solidariedade internacional e defendeu a reforma do sistema financeiro
- Publicado: 16/06/2026 18:02
- Alterado: 16/06/2026 18:02
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Governo Federal
Em pronunciamento nesta terça-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou como líder convidado na Cúpula do G7, realizada em Évian, na França. Em sua fala, o chefe do Executivo brasileiro subiu o tom contra o encolhimento da ajuda humanitária global e cobrou que as nações mais ricas do planeta assumam maior responsabilidade financeira e política no combate às assimetrias socioeconômicas entre o Norte e o Sul Global.
Lula criticou o atual modelo geopolítico e macroeconômico, ressaltando que, enquanto os gastos militares globais escalaram para a marca de quase US$ 3 trilhões anuais, os fundos de cooperação internacional e as agências de desenvolvimento humano sofreram cortes drásticos de orçamento.
A Crise do Financiamento Humanitário

O presidente brasileiro apresentou dados para demonstrar o descompasso entre a riqueza global e o financiamento de redes de proteção social. De acordo com o líder do Executivo:
- Queda no Desenvolvimento: Houve uma retração histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento;
- Cortes em Agências: O Programa Mundial de Alimentos (PMA) perdeu 40% de seu orçamento, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef registraram cortes superiores a 20%;
- Asfixia Financeira: Os países em desenvolvimento transferem anualmente US$ 1,4 trilhão para o pagamento do serviço de suas dívidas externas — uma cifra sete vezes maior do que toda a ajuda financeira que recebem das potências ricas.
“Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos. O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias”, alertou Lula.
Propostas e a Pauta de Transição Tecnológica

Para contrapor o cenário de crise, o mandatário brasileiro sugeriu a implementação de mecanismos inovadores de economia internacional, como a troca de dívidas soberanas por ações climáticas ou investimentos sociais estruturantes. Ele citou iniciativas lideradas ou apoiadas pelo Brasil, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e a Aliança Global contra a Fome.
Lula encerrou sua participação alertando o G7 para os riscos de neocolonialismo na transição energética e na consolidação da inteligência artificial (IA):
- Cadeia de Valor: Defendeu que os países em desenvolvimento detentores de minerais críticos (essenciais para baterias e tecnologias limpas) não sejam apenas exportadores de matéria-prima, mas participem da industrialização e refino local;
- Inclusão Digital: Cobrou a transferência de tecnologia para evitar que a IA e as ferramentas digitais concentrem os bônus econômicos nas mãos de poucos atores globais.