Isa Energia entrega obra de R$ 1,1 bi e amplia rede no ABC

Empreendimento amplia capacidade energética e reforça segurança no fornecimento de energia na região metropolitana de São Paulo

Crédito: Suzana Rezende / ABCdoABC

A ISA Energia inaugurou o empreendimento Riacho Grande, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, com foco na ampliação da capacidade de transmissão e no reforço da confiabilidade do sistema elétrico da região metropolitana de São Paulo.

O projeto, classificado como lote 7 do leilão de transmissão realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em dezembro de 2020, recebeu investimento de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. A iniciativa contempla a construção de linhas de transmissão subterrâneas e aéreas, além de subestações e ampliações estruturais.

Durante a cerimônia, foi destacada a trajetória do empreendimento desde sua concepção até a entrega. “Há quase exatos dois anos que a gente estava nesse mesmo local, fazendo a primeira cerimônia da pedra fundamental (…). Um projeto desse porte, dessa magnitude, ele não acontece do dia para a noite”, foi ressaltado na abertura do evento.

O projeto também teve impacto direto na economia local, com a geração de mais de 2.200 empregos ao longo da execução, segundo os organizadores.

Capacidade ampliada e reforço energético no ABC

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Cabos de energia para transmissão subterrânea. Foto: Suzana Rezende / ABCdoABC

De acordo com Ferdinand Vale, executivo de projetos e leilões, o principal objetivo do empreendimento é atender ao crescimento da demanda energética da região.

“Esse é um projeto que tem como objetivo principal atender a crescente demanda de carga da região do ABC e além de possibilitar toda a confiabilidade pra região metropolitana de São Paulo”, afirmou.

A subestação instalada em São Caetano do Sul conta com dois transformadores de 400 MW cada, ampliando significativamente a capacidade de distribuição de energia. O sistema inclui ainda 22 quilômetros de linhas de transmissão subterrâneas, configurando a maior instalação desse tipo no país até o momento.

“Somados, a gente tem 22 quilômetros de linha subterrânea linear (…), isso forma a maior linha de transmissão subterrânea do país instalada até o momento”, explicou Vale.

O empreendimento também estabelece conexões estratégicas com outras subestações, como Miguel Reale e Sul, além de integrar o sistema ao circuito entre Ibiúna e Tijuco Preto, ampliando a segurança energética.

Integração ao sistema e confiabilidade operacional

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Rede elétrica. Foto: Suzana Rezende / ABCdoABC

Um dos pontos centrais do projeto é o fechamento do chamado “anel” de transmissão na capital paulista, o que permite maior flexibilidade e segurança na distribuição de energia.

“Isso dá confiabilidade para o sistema, por quê? Qualquer problema que você tem em uma dessas pernas aqui, você consegue, por outro caminho, fazer esse fechamento”, detalhou Ferdinand Vale.

A lógica de operação foi comparada ao funcionamento do Rodoanel, ao permitir múltiplos caminhos para o fluxo energético, reduzindo riscos de interrupção no fornecimento.

Segundo o representante do Ministério de Minas e Energia, Gilherme Zanetti, o empreendimento contribui diretamente para a segurança energética da região.

“A capital, o suprimento aos consumidores da cidade, da região metropolitana de São Paulo, ele fica muito mais seguro agora, com esse empreendimento em operação”, afirmou.

Tecnologia e engenharia em área urbana

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GIS, isolamento a gás. Suzana Rezende / ABCdoABC

A execução do projeto exigiu soluções de engenharia adaptadas ao ambiente urbano denso da Grande São Paulo. Entre as tecnologias utilizadas, destaca-se o método não destrutivo para a instalação de cabos subterrâneos.

“Esse método não destrutivo (…) a gente passa ali um robozinho embaixo dessas avenidas que a gente depois pode fazer a passagem desses cabos”, explicou Vale.

Também foram utilizadas subestações blindadas, isoladas a gás, que permitem maior compactação das estruturas em áreas com limitação de espaço.

Você não consegue imaginar em São Paulo construir uma subestação convencional porque você não tem espaço atualmente pra construir este tipo de subestação”, afirmou.

Além disso, torres de transmissão de até 120 metros de altura foram empregadas para minimizar impactos ambientais, especialmente em travessias de rios.

Antecipação na entrega e planejamento energético

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Transformador reserva. Foto: Suzana Rezende / ABCdoABC

O projeto foi concluído com antecedência em relação ao prazo contratual, conforme destacado durante a cerimônia.

Entregando antes do prazo contratual, inclusive, (…) alguns meses antes do prazo contratual”, disse Gilherme Zanetti.

A antecipação ocorre em um cenário de expansão e transformação do setor elétrico brasileiro, marcado pelo crescimento de fontes renováveis e pelo aumento da demanda, especialmente com a chegada de data centers.

A gente tem hoje um cenário de forte avanço (…) em nossas fontes variáveis (…) e agora a gente tem também um cenário de forte avanço em nossas cargas”, explicou o representante do ministério.

Segundo ele, esse contexto impõe novos desafios ao planejamento da transmissão de energia, exigindo investimentos contínuos em infraestrutura.

Estratégia da empresa e novos investimentos

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Direção ISA Energia. Foto: Suzana Rezende / ABCdoABC

O diretor-presidente da ISA Energia, Rui Chammas, destacou que o projeto faz parte de uma estratégia baseada em três pilares: operação eficiente, sustentabilidade e crescimento.

“O primeiro pilar é operar e manter com excelência (…). O segundo pilar é como fazer isso, com sustentabilidade, com segurança (…), ao mesmo tempo que a gente, no terceiro pilar, cresce e rentabiliza o nosso negócio”, afirmou.

Chammas também apresentou números da atuação da empresa no país, incluindo a responsabilidade pela transmissão de 30% da energia nacional e presença em 18 estados.

“Hoje a empresa é responsável por transmitir 30% da energia do país. 95% da energia do estado de São Paulo passa pelas nossas linhas”, disse.

Além do projeto Riacho Grande, a companhia mantém outros empreendimentos em andamento, com previsão de investimentos adicionais de bilhões de reais nos próximos anos.

Ações sociais e ambientais durante a obra

Durante a construção, foram desenvolvidas iniciativas sociais e ambientais em comunidades impactadas pelo projeto.

Entre elas, a revitalização do Recanto Vida Nova, ações de educação ambiental em escolas municipais e projetos de agricultura urbana.

A gente fez uma parceria (…) onde a gente pôde fazer a criação desse centro (…) e assim foi um trabalho bem bacana”, relatou Ferdinand Vale.

Também foram promovidas ações para capacitação de moradores que já atuavam com hortas na região, com o objetivo de fortalecer a atividade.

Trouxemos um pouco de conhecimento (…) pra que eles pudessem cada vez mais desenvolver (…) essa plantação dessas hortas”, afirmou.

Operação e desafios futuros

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Saída dos cabos da GIS. Foto: Suzana Rezende / ABCdoABC

Com a entrada em operação, o foco passa a ser a manutenção da infraestrutura e a prevenção de interferências externas, especialmente em trechos subterrâneos.

Manter essa infraestrutura preservada é o que faz a diferença”, destacou um dos responsáveis pela operação.

A empresa informou que todas as redes subterrâneas estão georreferenciadas e disponíveis para consulta pública, com o objetivo de evitar intervenções indevidas.

Qualquer intervenção (…) nos consultem, nos procurem, tá tudo georreferenciado no nosso site”, foi orientado durante o evento.

Expansão do sistema elétrico nacional

O empreendimento Riacho Grande integra um cenário mais amplo de expansão do sistema elétrico brasileiro. Segundo o Ministério de Minas e Energia, há previsão de aumento significativo na capacidade de conexão nos próximos anos.

A gente tem uma expectativa de crescer em ordem de 5 ou 6 gigawatts (…) especialmente data centers”, afirmou Gilherme Zanetti.

No total, os estudos indicam uma expansão entre 12 e 16 gigawatts na capacidade de conexão em diferentes regiões do país, o que representa um avanço relevante frente à demanda atual.

“A gente pretende nos próximos 10 anos expandir isso em 15%”, completou.

A inauguração do empreendimento em São Caetano do Sul, portanto, ocorre em um momento estratégico para o setor, diante da necessidade de modernização e ampliação da infraestrutura energética nacional.

  • Publicado: 26/03/2026 19:14
  • Alterado: 26/03/2026 19:15
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: ABCdoABC