Homicídios em queda, mas feminicídios atingem recorde histórico no Brasil

O Mapa da Segurança Pública de 2025 mostra queda nos homicídios, mas aumento alarmante nos feminicídios e estupros, revelando desafios na segurança no Brasil

Crédito: Paulo H. Carvalho - Agência Brasília

O Mapa da Segurança Pública, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública hoje, dia 11 de junho, apresenta uma análise abrangente dos indicadores de criminalidade no Brasil, evidenciando um panorama complexo em relação à segurança e à violência no país.

Entre os dados mais relevantes, destaca-se a redução de 6% nos homicídios dolosos, que caíram de 37.754 em 2023 para 35.365 em 2024. Este declínio é uma continuação da tendência observada desde 2020.

No entanto, o relatório também revela um aumento alarmante na violência contra a mulher. Os feminicídios, que haviam diminuído no ano anterior, atingiram um novo pico histórico com 1.459 casos registrados em 2024, representando uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. A Região Centro-Oeste permanece como a área com a maior taxa de feminicídios do país, com 1,87 casos para cada 100 mil mulheres, superando a média nacional de 1,34.

Os dados sobre estupros também são preocupantes, com um total de 83.114 casos denunciados em 2024 – o número mais elevado nos últimos cinco anos. Em média, foram registradas 227 vítimas por dia, das quais 86% eram do sexo feminino. São Paulo liderou as estatísticas absolutas com 15.989 ocorrências. Por outro lado, Rondônia teve a maior taxa por 100 mil habitantes, com índices de 87,73, seguido por Roraima (84,68) e Amapá (81,96).

O aumento foi observado também nas lesões corporais seguidas de morte, refletindo uma preocupante escalada da violência.

Apesar desse cenário alarmante em relação à violência contra a mulher e outros tipos de crimes violentos, o relatório aponta que diversas categorias de homicídios apresentaram queda. Os latrocínios, que são roubos seguidos de morte, reduziram-se ligeiramente: foram contabilizados 972 vítimas em 2023 e 956 em 2024. Além disso, as mortes resultantes de ações policiais caíram em 4%.

Os crimes patrimoniais também mostraram tendência decrescente. Entre as principais reduções estão:

  • Roubo de carga: diminuição de 13,6%
  • Furto de veículos: queda de 2,6%
  • Roubo de veículos: redução de 6%
  • Roubo a instituições financeiras: diminuição significativa de 22,5%

Em relação ao tráfico de drogas, o Brasil experimentou um aumento nas apreensões. Em 2024, foram apreendidas aproximadamente 1,4 toneladas de maconha – uma alta de 10% em comparação ao ano anterior – resultando numa média diária de cerca de 3,8 toneladas. Esse volume é o maior registrado nos últimos dois anos; cabe destacar que os dados dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro não foram incluídos no relatório devido à falta de informações até o fechamento da coleta.

A cocaína também teve aumento significativo nas apreensões: foram confiscados 137.357 kg da substância em 2024, representando um crescimento de 5,5%, consolidando-se como o maior volume nos últimos cinco anos.

Por outro lado, as apreensões de armas apresentaram uma queda geral de 2,6%. Contudo, houve um notável aumento nas apreensões de fuzis – registrando um crescimento percentual expressivo de 43%, passando de 1.365 apreensões em 2023 para um total de 1.957 em 2024.

O relatório ilustra a complexidade do cenário da segurança pública no Brasil e destaca tanto os avanços quanto os desafios persistentes que o país enfrenta na luta contra a criminalidade.

  • Publicado: 11/06/2025 07:47
  • Alterado: 11/06/2025 07:49
  • Autor: 11/06/2025
  • Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública