Flávio Bolsonaro critica STF após condenação de Eduardo
Flávio Bolsonaro reage à condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF, chama decisão de injusta e amplia tensão política no Congresso
- Publicado: 17/06/2026 08:55
- Alterado: 17/06/2026 08:55
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
A condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo STF (Supremo Tribunal Federal), na terça-feira (16), foi recebida por aliados do campo bolsonarista como uma decisão injusta e interpretada como mais um episódio de perseguição institucional.
Já entre integrantes ligados ao PT, o desfecho foi celebrado como reforço da narrativa de soberania nacional, argumento que deve ganhar centralidade na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputará a reeleição em outubro.
Eduardo foi condenado de forma unânime pela Primeira Turma do STF por coação no curso do processo, sob acusação de ter articulado tentativa de pressão junto aos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro, com objetivo de interferir no andamento da investigação sobre a trama golpista, caso em que o ex-presidente Jair Bolsonaro já foi condenado.
Repercussão política e críticas à decisão judicial
O senador Flávio Bolsonaro afirmou que o processo seria nulo e classificou o caso como uma grave injustiça, direcionando críticas ao ministro Alexandre de Moraes, um dos alvos da Lei Magnitsky aplicada pelos Estados Unidos.
Segundo ele, o magistrado deveria ter se declarado impedido por ser, em tese, parte interessada no caso. O senador também afirmou que o episódio se assemelha a uma vingança pessoal e que o país não viveria uma democracia plena.
Além disso, defendeu que Eduardo não deveria ter sido julgado pelo STF por já não ocupar mandato de deputado federal, argumento usado para contestar a competência da Corte no processo.
Em paralelo, a decisão foi alvo de críticas dentro do campo bolsonarista e usada como símbolo de suposta parcialidade do Judiciário. Em diferentes frentes, aliados passaram a questionar critérios aplicados em casos semelhantes envolvendo figuras da esquerda.
Comparações com casos anteriores e disputa de narrativa
Coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, o líder do PL no Senado, Rogério Marinho (RN), afirmou que o Judiciário não pode adotar critérios distintos conforme o perfil do investigado.
Ele comparou o caso com episódios envolvendo o PT, citando a prisão do presidente Lula, quando lideranças petistas recorreram a organismos internacionais e promoveram campanhas no exterior contra decisões da Justiça brasileira. Segundo ele, tais ações foram tratadas à época como exercício legítimo de liberdade de expressão e atuação política.
Na mesma linha, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) apontou tratamento desigual, afirmando que parlamentares petistas também buscaram apoio internacional em momentos políticos sensíveis, como durante o impeachment de Dilma Rousseff, sem sofrer consequências semelhantes.
Do lado governista, parlamentares do PT intensificaram críticas e passaram a associar o ex-deputado a atos contra o país. Houve ainda tentativa de colar o rótulo de “traidor da pátria” em Flávio Bolsonaro, em meio à escalada retórica entre os grupos.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) utilizou suas redes para reforçar essa narrativa, enquanto Carlos Zarattini (PT-SP) celebrou a decisão do STF e pediu a responsabilização do ex-deputado, incluindo sua possível deportação para cumprimento de pena no Brasil.
O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, também comentou o caso, afirmando que há consequências jurídicas para quem participa de articulações contra instituições nacionais, citando penas de prisão, inelegibilidade e perda de cargo público.
Consequências jurídicas e próximos desdobramentos
Eduardo Bolsonaro teve o mandato cassado anteriormente por decisão da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, presidida por Hugo Motta (Republicanos-PB), em dezembro, em razão de excesso de faltas às sessões legislativas.
A condenação atual ainda permite recurso no próprio STF. Após a publicação do acórdão, a defesa poderá apresentar embargos de declaração para esclarecimentos sobre possíveis pontos obscuros da decisão.
Como o ex-deputado está nos Estados Unidos, o governo brasileiro pode solicitar sua inclusão na lista de procurados da Interpol.
A decisão também prevê inelegibilidade, com efeito imediato após determinação do Supremo de comunicação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sem necessidade de trânsito em julgado por se tratar de julgamento colegiado.