Carta da FecomercioSP projeta nova alta na inflação
O IPCA atingiu seu menor nível nos últimos 12 meses. O cenário muda agora com o alerta do CSESP sobre o repasse inevitável de custos.
- Publicado: 26/03/2026 18:10
- Alterado: 26/03/2026 18:10
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FecomercioSP
A Carta da FecomercioSP decreta o fim do alívio econômico. O documento publicado pelo Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política (CSESP) aponta que o IPCA atingiu seu piso de 3,81% no acumulado até fevereiro. Os preços vão subir. Fatores globais e o superaquecimento do mercado de trabalho brasileiro formam a tempestade perfeita para o encarecimento do custo de vida.
Por que a Carta da FecomercioSP prevê aumento
O governo tenta blindar o mercado interno. As medidas do Planalto buscam segurar o preço dos combustíveis diante do conflito no Oriente Médio, mas o efeito prático tem prazo de validade. As fatias mais vulneráveis da população sofrerão o impacto imediato. A gasolina e o diesel encarecerão nos próximos meses, corroendo o orçamento das famílias de baixa renda.
Pressão interna no setor de serviços
A engrenagem da economia nacional rodou rápido demais. O desemprego recuou para 5,1% no final do último trimestre, injetando força no mercado de trabalho e consumo imediato nas ruas. Essa demanda pressiona diretamente o setor de serviços. Este segmento já registra uma alta robusta de 6% na composição do IPCA, contrastando fortemente com o teto de 1,5% visto nos produtos de varejo tradicionais.
O freio do Banco Central na Selic
O mercado financeiro precificou essa mudança de rota. A leitura detalhada da Carta da FecomercioSP justifica a postura cautelosa do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada. O Banco Central reduziu a Selic em apenas 0.25 ponto percentual, frustrando o setor produtivo que esperava um corte mais agressivo de meio ponto.
O presidente do CSESP, Antonio Lanzana, desenha um cenário desafiador. O economista adverte sobre a gravidade da conjuntura geopolítica e seus reflexos diretos no bolso do consumidor.
“A economia mundial passa por um momento robusto de incertezas. A guerra no Oriente Médio é muito grave, e os impactos serão globais. Para o Brasil, os efeitos virão na inflação do petróleo, que vai elevar o custo de vida das famílias.”
As incertezas forçam uma reavaliação de rota na política monetária. Lanzana detalha os próximos passos das autoridades financeiras:
“Isso deve fazer o Banco Central medir novamente seu ciclo de cortes dos juros, retraindo o ritmo dos ajustes na Selic. Não é uma boa notícia para um país cujos primeiros indicadores do ano mostram um comportamento setorial diferenciado.”
Impactos globais e o futuro da economia
O comportamento setorial brasileiro acende um sinal amarelo. A análise conjuntural da Carta da FecomercioSP mapeia os três fenômenos internos que desafiam o controle da inflação agora:
- Queda contínua na atividade industrial.
- Estabilidade forçada e sem crescimento no comércio varejista.
- Disparada acelerada de preços no setor de serviços.
A publicação também esmiúça os reflexos do conflito no Irã sobre a economia dos Estados Unidos. O documento estuda as recentes dinâmicas do mercado chinês e como essas placas tectônicas afetam o fluxo comercial brasileiro.
O alerta está dado. A trégua inflacionária terminou e o planejamento financeiro exige atenção redobrada. Os dados compilados pela Carta da FecomercioSP indicam que a janela de juros baixos e preços controlados se fechou temporariamente para o Brasil.