Custo de vida na Grande SP sobe 0,95%
Reajustes em educação e transporte elevam custo de vida em São Paulo em fevereiro
- Publicado: 27/03/2026 15:11
- Alterado: 27/03/2026 15:11
- Autor: Larissa Rodrigues
- Fonte: FecomercioSP
O custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo apresentou um crescimento expressivo de 0,95% em fevereiro, impulsionado principalmente pelos reajustes sazonais em educação e transporte público. Segundo o índice Custo de Vida por Classe Social, elaborado pela FecomercioSP, a inflação acumulada nos últimos doze meses atingiu 4,78%. Embora a alta tenha afetado todas as faixas de renda, as famílias das classes D e E sentiram o impacto de forma mais acentuada, especialmente devido ao peso do transporte no orçamento doméstico. O setor registrou elevação de 1,55% no mês, refletindo o aumento de 2,3% nas passagens de ônibus urbano e a valorização de combustíveis como o etanol e a gasolina. Além disso, a demanda gerada pelo feriado de Carnaval provocou um salto de 16,9% nos bilhetes aéreos.
O setor educacional também exerceu uma pressão significativa no indicador de fevereiro, com uma alta média de 4,91%. Esse movimento foi puxado pelos reajustes anuais nas mensalidades, com destaque para o ensino médio, que subiu 8,4%, seguido de perto pelo ensino fundamental e infantil, ambos com altas superiores a 8%. Já no grupo de alimentos e bebidas, o avanço foi de 0,83%, atingindo mais severamente a base da pirâmide social, uma vez que a alimentação consumida em casa subiu mais do que as refeições fora do domicílio. Itens básicos e essenciais, como o feijão, que encareceu 11,4%, a alface e diversos cortes de carne bovina, foram os principais responsáveis por essa variação.
No segmento de habitação, o aumento mensal foi de 0,39%, influenciado por reajustes na energia elétrica residencial, nos serviços de mão de obra e no gás de botijão, que subiu 1,5% na região metropolitana. Essa composição de gastos faz com que a inflação acumulada em um ano seja mais rigorosa para a Classe E, chegando a 5,13%, enquanto para a Classe A o índice fica em 4,75%. Essa disparidade ocorre porque as famílias de menor poder aquisitivo destinam uma parcela maior de sua renda a itens básicos, que atualmente sofrem maior pressão de preços.
Para os próximos meses, a FecomercioSP projeta que o efeito sazonal de educação e transporte deve diminuir, mas o cenário externo exige cautela. A crise no Irã tem pressionado o valor do óleo diesel e de outros combustíveis, o que pode impactar negativamente os resultados de março. Além do aumento direto nas bombas, essa instabilidade tende a encarecer a cadeia logística, refletindo eventualmente nos preços dos produtos nas gôndolas dos supermercados e mantendo o orçamento das famílias sob pressão.