Diesel, hidrogênio e dados disputam o comando das estradas
VW lança Constellation, Marcopolo cresce no México, Hyundai leva hidrogênio e MDF-e muda o jogo da logística no Brasil
- Publicado: 24/03/2026 18:10
- Alterado: 24/03/2026 18:10
- Autor: Norberto Quintana/TranspoMais
- Fonte: Flashmotors
A VW Caminhões e Ônibus amplia sua presença no transporte rodoviário de longas distâncias com o lançamento dos novos Constellation 25.380, nas configurações 6×2 e 8×2 rígidos, desenvolvidos em parceria com o BMB Mode Center. A proposta ultrapassa uma simples atualização de portfólio: trata-se de uma solução sob medida para operações nas estradas que exijam robustez, eficiência e versatilidade, especialmente em composições do tipo “Romeu e Julieta”, com capacidade para até 56 toneladas. Os novos modelos reforçam um dos pilares históricos da marca – a durabilidade –, com PBT técnico de até 32,2 toneladas na versão 8×2, além de um conjunto mecânico aprimorado, com ganho de 15% no torque em relação às gerações anteriores. Associado à transmissão automatizada V-Tronic de 12 velocidades, o “powertrain” busca equilibrar desempenho e eficiência operacional, com foco direto na redução de consumo e no aumento da disponibilidade do veículo. Outro avanço relevante está na dirigibilidade, com a adoção do sistema de direção já presente na linha Meteor, que eleva o padrão de conforto ao volante, reduzindo o esforço e aumentando a precisão nas estradas.
Avanço mexicano

A Marcopolo reforça sua estratégia internacional com um resultado expressivo no México: mais de cem ônibus comercializados durante a “Expo Foro Movilidad 2026”, um dos principais eventos do setor na América Latina. O desempenho consolida a presença da fabricante brasileira no mercado e nas estradas mexicanas e evidencia a crescente demanda por soluções de mobilidade alinhadas às novas exigências ambientais e operacionais. O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla, que combina aumento de produtividade, diversificação de portfólio e foco em tecnologias compatíveis com diferentes matrizes energéticas. A expectativa da companhia gaúcha é ampliar sua participação no México até o final deste ano e fortalecer as exportações para os Estados Unidos, aproveitando a integração logística da região.
Hidrogênio na prática

A Hyundai Motor Company dá um passo relevante na descarbonização do transporte pesado nas estradas da América do Sul com a implantação de uma frota de caminhões XCient Fuel Cell no Uruguai. Trata-se da primeira operação com veículos extrapesados movidos a hidrogênio na região, marcando o avanço concreto da tecnologia de célula de combustível no continente. Os modelos, enquadrados na Classe 8, combinam duas pilhas de combustível que somam 180 kW de potência com um motor elétrico de 350 kW (469 cavalos) e 228 kgfm de torque – números que colocam o caminhão em condições reais de operação em aplicações logísticas exigentes. A autonomia, que pode chegar a 720 quilômetros, reforça a viabilidade da tecnologia em rotas de média e longa distância. A iniciativa está diretamente ligada ao “Projeto Kahirós”, que busca descarbonizar a cadeia logística por meio do uso de hidrogênio verde nas estradas. Com isso, o Uruguai passa a integrar o ecossistema global de hidrogênio da Hyundai, já consolidado em mercados como América do Norte e Europa, reforçando o papel da América do Sul na transição para uma mobilidade de emissão zero.
Fiscalização digital nas estradas

As novas exigências para a emissão do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), em vigor desde outubro de 2025, representam um avanço significativo no controle das operações de transporte rodoviário de cargas no Brasil. Com a ampliação das informações obrigatórias no documento, o sistema passa a permitir um cruzamento de dados mais eficiente pelas autoridades, elevando o nível de fiscalização eletrônica nas estradas. Isso significa maior rigor na conformidade das operações: qualquer inconsistência no preenchimento pode resultar na rejeição automática do MDF-e, trazendo impactos diretos à logística, como atrasos, autuações e até retenção de cargas. O movimento está diretamente alinhado ao monitoramento da política nacional de pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas, um dos pontos mais sensíveis do setor. Diante desse cenário, entidades como a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) intensificam ações de orientação nas estradas, promovendo eventos técnicos e desenvolvendo materiais de apoio para auxiliar transportadores na adaptação às novas regras. Mais do que uma exigência burocrática, o novo MDF-e consolida uma transformação estrutural no setor, em que tecnologia e conformidade passam a ser determinantes para a eficiência e a competitividade das operações.