Desabamento em SP motiva indiciamentos por homicídio doloso

A Polícia Civil responsabiliza criminalmente os donos da obra e uma funcionária municipal após a tragédia na zona leste deixar seis vítimas fatais

Crédito: Reprodução/Folha de SP

A tragédia do desabamento em SP entra em uma nova fase criminal. A Polícia Civil indiciará os donos da construtora New Home, o engenheiro responsável e uma servidora da Prefeitura de São Paulo. Eles responderão por homicídio com dolo eventual. Seis pessoas morreram no colapso ocorrido no último sábado (12). O cerco se fecha contra a negligência estrutural.

Desabamento em SP revela falhas graves de fiscalização

As autoridades prenderam Ronaldo dos Santos Vivaqua. Os investigadores apontam o empresário como sócio oculto do empreendimento erguido na rua Tequici, distrito da Penha. Outras duas peças-chave do projeto seguem foragidas da Justiça.

A lista de procurados inclui nomes centrais da operação:

  • Cristiano Salgado Vivaqua: Engenheiro e responsável técnico da obra.
  • Isis de Freitas Rodrigues Brandão: Sócia-administradora da construtora.

A defesa técnica do trio adotou o silêncio estratégico. Dias antes, os advogados garantiram a regularidade da obra e prometeram apresentar os acusados. Eles tentam agora garantir a prisão domiciliar para Ronaldo. Aos 63 anos, o empresário alega sofrer de doença degenerativa e outros problemas graves de saúde.

O histórico recente da empresa agrava o cenário legal. A construtora acumula embargos, multas e paralisações judiciais. O trágico desabamento em SP escancara um padrão de irregularidades históricas toleradas pelo sistema de aprovação.

O peso da burocracia na tragédia estrutural

O inquérito mira diretamente a máquina pública municipal. Viviane Rodrigues de Palma, coordenadora de Planejamento da subprefeitura da Penha, virou alvo da investigação. Ela assinou um documento crucial para o avanço da obra. O laudo atestou a demolição completa do imóvel anterior e abriu caminho para a nova estrutura em fevereiro de 2024.

O prefeito Ricardo Nunes afastou a servidora preventivamente por 120 dias. O delegado Antônio José Pereira traçou uma linha direta entre a falha documental e a perda de vidas.

“Se ela não tivesse atestado que o prédio foi demolido, será que teríamos como resultado esse desabamento que matou seis pessoas? Provavelmente não. Ela pode ter sido responsável pelo resultado morte.”

A funcionária pública indiciada pelo desabamento em SP rejeita as acusações veementemente. Aos investigadores, ela declarou ter avaliado apenas a derrubada de uma casa antiga do terreno. Ela afirma não possuir atribuição técnica para medir estabilidade predial.

“Em momento algum, eu atestei que aquela edificação era segura, porque não está dentro das minhas competências aferir a segurança.”

Próximos passos e embargos da prefeitura

A gestão municipal embargou todos os canteiros da construtora. A punição atinge também a parceira Hastiforme. Os projetos bloqueados espalham-se por subprefeituras da zona leste, como Aricanduva e São Mateus.

Os investigadores já interrogaram mais de dez testemunhas e promovem novas oitivas. O cruzamento rigoroso de laudos e vistorias definirá o futuro criminal dos envolvidos. A leniência técnica cobra um preço irreversível. Cada novo desabamento em SP deixa um rastro de luto e exige punições exemplares da Justiça para frear a impunidade imobiliária.

  • Publicado: 15/09/2026 21:43
  • Alterado: 15/09/2026 21:44
  • Autor: Leonardo Nogueira
  • Fonte: Folha Press