Desabamento em SP provoca prisão de donos de construtora
Desabamento em SP termina com mandados de prisão para os donos da New Home Construtora após tragédia deixar seis mortos na zona leste
- Publicado: 13/09/2026 19:13
- Alterado: 13/09/2026 19:13
- Autor: Leonardo Nogueira
- Fonte: Folha Press
O trágico desabamento em SP gerou uma resposta rápida da Justiça com a expedição de mandados de prisão temporária. A medida foca nos três responsáveis pela construtora do prédio que ruiu sobre uma casa no bairro da Penha, neste último sábado. Seis pessoas morreram sob os escombros.
Investigação do desabamento em SP aponta sócios ocultos
A Polícia Civil prendeu Ronaldo Vivacqua na manhã de domingo. Os investigadores o identificam como o sócio oculto por trás da New Home Construtora.
As autoridades buscam agora o engenheiro Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e responsável legal do projeto. Isis Brandão, sua esposa e co-proprietária, também figura como foragida. O casal não se apresentou aos agentes de segurança.
“Eles não estavam em São Paulo e, por isso, não se entregaram.”
O advogado Adelmo Silva garante que os clientes prestarão depoimento nos próximos dias. A defesa sustenta que uma decisão judicial validava o avanço das obras no local.
Alvará ignorado eleva gravidade do desabamento em SP
Os laudos iniciais revelam um histórico severo de negligência. A construtora descumpriu um alvará da Prefeitura de São Paulo que exigia a demolição completa da estrutura antiga antes de erguer o novo edifício.
A delegada Deidiene Fialho Eboli Prado, do 24º DP (Ponte Rasa), coordena as análises documentais. Os indícios apontam que os responsáveis conheciam a extrema fragilidade estrutural da obra.
“Ao longo da diligência, analisamos documentos e o histórico da construção. Isso nos levou à desconfiança de que não foi um imprevisto.”
A delegada Safira Borges Pereira Parente colheu depoimentos cruciais no fim de semana. Moradores vizinhos relataram rachaduras crescentes em suas casas nos meses anteriores à queda. A tentativa da empresa de ocultar registros técnicos fundamentou o pedido de prisão temporária.
Omissão pública e fraude em relatórios
A obra irregular acumulou infrações graves de engenharia. A gestão municipal interditou o canteiro logo no início das operações, em 2019.
A linha do tempo das irregularidades demonstra falhas contínuas:
- A Procuradoria Geral do Município exigiu a suspensão imediata dos trabalhos em 2021.
- A construtora protocolou um novo projeto arquitetônico em 2022.
- A prefeitura emitiu um alvará em 2023 condicionado à demolição obrigatória do esqueleto de cinco andares.
- A empresa ergueu ilegalmente uma estrutura de nove andares antes da ruína.
A Subprefeitura da Penha afastou cautelarmente a servidora pública responsável pela vistoria de 2024. Ela atestou falsamente que a construtora havia demolido o prédio. O controlador-geral do Município, Daniel Falcão, confirmou a abertura de uma investigação criminal para apurar a fraude documental.
O prefeito Ricardo Nunes ratificou a inconsistência do laudo técnico. Imagens de satélite e relatos da vizinhança comprovaram que a demolição exigida por lei jamais ocorreu.
Próximos passos após o desabamento em SP
A defesa da construtora promete apresentar um documento datado de março de 2025 que supostamente autorizava a continuidade dos trabalhos. O advogado levanta ainda a hipótese de interferência de uma obra vizinha, localizada na rua de trás, como possível gatilho para a queda.
A perícia técnica detalhada definirá a responsabilidade exata pelas falhas de engenharia. O inquérito sobre este desabamento em SP segue aberto para mapear toda a cadeia de irregularidades que custou a vida de seis moradores.