Decisão de Moraes favoreceu tese da defesa de Vorcaro
Decisão de Alexandre de Moraes em 2025 contra investidor da Esh Capital reforçou argumentos do escritório de sua esposa em processo de Vorcaro
- Publicado: 19/03/2026 00:29
- Alterado: 19/03/2026 00:29
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: TJSP
O ministro Alexandre de Moraes negou um recurso crucial ao investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital. Na mesma época, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, utilizava os serviços do escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci, para processar o mesmo investidor.
O escritório Barci de Moraes manteve um contrato de R$ 3,5 milhões mensais com o banco de Vorcaro entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Embora o STF negue conflito de interesses, a decisão de Moraes acabou por validar indiretamente a estratégia jurídica traçada pela esposa do magistrado em favor do banqueiro em instâncias inferiores.
O cruzamento de teses jurídicas e a rede de influência
A defesa de Vorcaro, conduzida por Viviane Barci, buscava descredibilizar Timerman no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A estratégia consistia em listar processos movidos contra o investidor para rotulá-lo como um “perseguidor contumaz”. Entre esses processos estava uma ação movida por Nelson Tanure, apontado como possível sócio-oculto do dono do Banco Master.
Ao negar o trancamento da ação de Tanure no STF, o ministro Alexandre de Moraes manteve vivo o principal argumento que a esposa utilizava para defender os interesses de Vorcaro. Na ocasião, Timerman alegava constrangimento ilegal e falta de justa causa, mas o relator determinou o prosseguimento da ação penal.
Decisão unânime e posicionamento da Suprema Corte
O recurso analisado por Moraes seguiu para a Primeira Turma do STF, onde os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux acompanharam o relator por unanimidade. O julgamento virtual ocorreu entre os dias 30 de maio e 6 de junho de 2025, período em que o contrato milionário com o banco de Vorcaro estava em pleno vigor.
Em nota oficial, o Supremo Tribunal Federal defendeu a integridade do rito processual:
“Tanto o caso, quanto as partes e os advogados no recurso não têm nenhuma relação com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados e, portanto, não há hipóteses legais de impedimento ou suspeição.”
Desdobramentos e as investigações sobre o Banco Master
Apesar da vitória estratégica de Vorcaro no STF naquele momento, a queixa-crime movida diretamente por ele contra Timerman foi rejeitada em setembro de 2025 pela 14ª Vara Criminal de São Paulo. A juíza Maria Tojeira entendeu que não havia justa causa para a acusação de calúnia e difamação.
Atualmente, a proximidade entre o magistrado e o banqueiro está sob escrutínio. Relatos indicam que o ministro Alexandre de Moraes estaria enfrentando desgastes devido a supostas trocas de mensagens com Vorcaro, interceptadas no período da prisão do empresário, o que levanta novos questionamentos sobre a imparcialidade das decisões envolvendo o ecossistema do Banco Master.