Conta de luz deve subir em média 8% em 2026, diz Aneel
Aumento projetado pela Aneel representa o dobro da inflação. Subsídios e mudanças na Eletrobras (Axia) impulsionam a alta das tarifas.
- Publicado: 17/03/2026 17:49
- Alterado: 17/03/2026 17:49
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FolhaPress
O impacto na conta de luz do brasileiro será maior neste ano. A Aneel prevê um reajuste médio de 8% nas tarifas de energia ao longo de 2026. Esse índice representa o dobro da inflação de 4,1% projetada pelo mercado financeiro.
Os primeiros repasses aprovados confirmam essa tendência de alta. Roraima registrou um aumento de 23,2%. No Rio de Janeiro, clientes da Enel e da Light absorveram reajustes de 14,2% e 6,9%, respectivamente. Em 2025, o avanço médio nacional fechou em 7%.
O peso financeiro dos subsídios na conta de luz
A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) concentra boa parte desse encargo estrutural. O mecanismo custará R$ 52 bilhões ao país em 2026. Esses recursos financiam fontes renováveis e cobrem as isenções tarifárias para famílias de baixa renda aprovadas recentemente pelo Congresso.
A privatização da Eletrobras, que passou a se chamar Axia, altera a dinâmica de preços. A companhia agora negocia sua energia em condições de mercado aberto. A legislação federal extingue gradualmente o sistema de cotas mais baratas até zerar essa modalidade totalmente em 2027.
Aproximadamente metade do índice de reajuste aprovado para este ano provém do aumento direto no custo dos subsídios setoriais.
O Executivo federal ensaiou uma redução nesses encargos. O governo enviou um projeto de lei ao parlamento para revisar as regras do setor elétrico. Lideranças políticas sofreram pressão corporativa e recuaram da reforma. O Congresso aprovou apenas o Luz do Povo, adicionando novas isenções ao sistema.
Descontos regionais e fatores operacionais
A agência reguladora usará a taxa de uso do bem público para abater tarifas de conta de luz em regiões específicas. Moradores de estados atendidos pela Sudam e Sudene receberão descontos diretos. A estratégia visa equilibrar o custo financeiro em áreas prioritárias de desenvolvimento nacional.
A compensação governamental atinge as seguintes localidades:
- Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
- Todos os estados da região Nordeste.
- Regiões norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.
- Parte do território do Maranhão.
As condições climáticas adversas completam o cenário do setor. O baixo volume de chuvas obriga o acionamento rápido de usinas termelétricas na virada do ano. Essa fonte geradora eleva instantaneamente os custos operacionais do sistema interligado nacional. A soma de fatores estruturais, políticos e ambientais define o preço final da conta de luz para o consumidor.