Corte da Selic corre risco com crise no Irã e alta de preços

Pressão no setor de serviços e explosão do petróleo ameaçam afrouxamento monetário. Banco Central deve agir com cautela redobrada.

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O corte da Selic deve frustrar os mais otimistas nesta semana. O Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizava um ciclo de reduções contundente para a taxa básica de juros. A realidade forçou um freio de arrumação imediato. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) prevê uma postura altamente defensiva da autoridade monetária.

Por que o corte da Selic será de apenas 0,25 p.p.?

Os juros não vão despencar de uma só vez. O ciclo começará de forma tímida, estacionando a taxa em 14,75%. O principal obstáculo interno atende pelo nome de inflação de serviços.

Os obstáculos reais que barram uma queda mais agressiva incluem:

  • Mercado de trabalho operando em alta temperatura.
  • Renda real do trabalhador em franca elevação.
  • Núcleos da inflação apontando para cima e dificultando o alcance do centro da meta.

O IPCA acumulado em 12 meses marca 3,8%, confortável em relação ao teto de 4,5%, mas mascarando uma pressão inercial perigosa.

Os preços dos serviços carregam forte resistência de baixa. Eles respondem com atraso e lentidão aos estímulos da política monetária.

Choque do petróleo e tensão no Oriente Médio

A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel instaurou um clima de alerta máximo. O globo enfrenta sua maior zona de incerteza geopolítica da última década. O preço do barril de petróleo explodiu em um intervalo de duas semanas.

O Brasil sente esse golpe de forma intensa. A nossa economia opera acima do seu nível potencial de produção. O encarecimento dos combustíveis reverbera imediatamente nas gôndolas e nos fretes quando a demanda doméstica segue aquecida.

A pressão importada rapidamente vira inflação persistente nas prateleiras. O cenário adverso obriga a equipe econômica a recalcular a magnitude do corte da Selic para segurar as rédeas do consumo.

A busca do Copom pela estabilidade

O Banco Central foge de sobressaltos. A diretoria foca em transmitir previsibilidade matemática ao mercado financeiro. O objetivo primário consiste em evitar qualquer choque de expectativas que resulte em pânico ou crise.

A reunião do comitê crava o início do alívio financeiro nacional. A extensão dessa jornada virou uma incógnita absoluta. O próximo corte da Selic dependerá de uma matemática fria entre a trégua das bombas no exterior e o esfriamento do varejo no Brasil.

  • Publicado: 17/03/2026 10:45
  • Alterado: 17/03/2026 10:45
  • Autor: 17/03/2026
  • Fonte: FecomercioSP