Cigarros eletrônicos já foram usados por 30% dos adolescentes, revela IBGE
Cigarros eletrônicos avançam entre jovens de 13 a 17 anos enquanto fumo comum recua, aponta levantamento inédito da PeNSE 2024.
- Publicado: 25/03/2026 11:51
- Alterado: 25/03/2026 11:51
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: IBGE
O consumo de cigarros eletrônicos atingiu um patamar crítico entre os estudantes brasileiros, revelando uma mudança drástica nos hábitos de saúde da nova geração. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados pelo IBGE, confirmam que 29,6% dos jovens de 13 a 17 anos já experimentaram os dispositivos conhecidos como vapes ou pods.
O salto é alarmante quando comparado ao levantamento de 2019, que registrava 16,8% de experimentação. Em apenas cinco anos, o uso recente desses dispositivos eletrônicos cresceu mais de 300% no país. O fenômeno ocorre enquanto o tabaco convencional e o narguilé perdem espaço nas escolas.
Substituição e perfil de consumo nas escolas
As meninas lideram a estatística de experimentação com 31,7%, superando o índice de 27,4% registrado entre os meninos. O levantamento do IBGE destaca que a rede pública de ensino apresenta maior penetração do produto (30,4%) em comparação à rede privada (24,9%).
Geograficamente, o Centro-Oeste e o Sul aparecem como os principais focos de consumo, com taxas de 42% e 38,3% respectivamente. Especialistas indicam que o narguilé está sendo substituído diretamente pelo vape, especialmente entre alunos de maior poder aquisitivo.
- Cigarro comum: queda de 22,6% para 18,5%.
- Narguilé: redução drástica de 26,9% para 16,4%.
- Cigarros eletrônicos: alta de 16,8% para 29,6%.
O desafio da fiscalização e riscos à saúde
Apesar da proibição de venda e importação imposta pela Anvisa, o mercado ilegal domina o ambiente digital e atinge o público jovem com facilidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que adolescentes possuem nove vezes mais chances de iniciar o uso desses produtos do que adultos.
Os dispositivos contêm nicotina, substância que prejudica o desenvolvimento cerebral, além de metais pesados como níquel e chumbo inalados diretamente nos pulmões.
Lacunas na prevenção escolar
A eficácia das políticas públicas enfrenta obstáculos práticos no cotidiano das instituições. O Programa Saúde na Escola (PSE) registrou uma queda na cobertura de ações preventivas contra o tabaco. Em 2019, 51,4% dos alunos participavam de atividades de conscientização, número que recuou para 48,5% no levantamento atual.
A vulnerabilidade estudantil vai além do consumo de substâncias. A PeNSE 2024 também revelou dados sensíveis sobre a realidade social nas escolas brasileiras. Cerca de 15% das estudantes faltaram às aulas por falta de absorventes e 9% dos jovens relataram ter sofrido coerção sexual. O avanço dos cigarros eletrônicos é apenas uma das camadas de um cenário complexo que exige intervenção imediata do Ministério da Saúde.