Brasil teme escalada nuclear e avanço de Israel após guerra no Irã
Governo avalia impactos geopolíticos do conflito e alerta para riscos à ordem internacional e à segurança global com escalada nuclear
- Publicado: 29/03/2026 08:51
- Alterado: 29/03/2026 08:51
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
O governo brasileiro acompanha com preocupação os desdobramentos da guerra envolvendo o Irã e avalia que o conflito pode desencadear uma nova corrida armamentista, inclusive com potencial expansão nuclear. Autoridades do Itamaraty e do Planalto apontam que países do Golfo passaram a reavaliar suas estratégias de defesa diante da instabilidade crescente na região.
Na análise diplomática, há o risco de nações como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos ampliarem investimentos militares, inclusive buscando capacidades nucleares como forma de dissuasão. Esse movimento seria motivado tanto pela insegurança regional quanto pela percepção de enfraquecimento das garantias de proteção dos Estados Unidos.
Além disso, o próprio Irã pode reforçar sua estratégia de defesa, fortalecendo setores mais radicais do regime e consolidando o entendimento interno de que armamentos de dissuasão são essenciais para sua sobrevivência.
Avaliação brasileira aponta risco de Israel mais expansionista
Outro ponto de atenção do governo brasileiro é a possibilidade de uma postura mais agressiva de Israel no Oriente Médio, especialmente em cenários de enfraquecimento do regime iraniano.
A gestão do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu poderia ampliar sua atuação militar na região, incluindo a manutenção de posições no Líbano e avanços na Cisjordânia. Há ainda preocupações sobre possíveis ações indiretas contra rivais regionais, como a Turquia.
Segundo essa leitura, setores do governo israelense defendem uma estratégia de expansão territorial com fronteiras mais flexíveis e zonas de segurança ampliadas — o que pode aumentar a instabilidade regional.
Divergências entre EUA e Israel influenciam conflito
O Brasil também observa diferenças nos objetivos estratégicos entre os Estados Unidos e Israel. Enquanto o governo americano busca limitar impactos econômicos e preservar relações com países do Golfo, Israel estaria mais focado no enfraquecimento estrutural do Irã.
O presidente Donald Trump enfrenta pressões internas, especialmente devido aos efeitos da guerra sobre a economia, como o aumento no preço dos combustíveis. Pesquisas recentes indicam rejeição significativa da população americana às ações militares, refletindo preocupações com o custo de vida e a escalada do conflito.
Além disso, figuras influentes dentro da política americana têm criticado a guerra, evidenciando divisões internas que podem impactar a condução da política externa dos EUA.
Impactos diplomáticos e posição do Brasil na ONU
No campo diplomático, o Brasil adotou uma postura cautelosa. O país condenou tanto os ataques iniciais quanto as retaliações, defendendo o respeito ao direito internacional e a necessidade de evitar uma escalada ainda maior das hostilidades.
O governo brasileiro também optou por não apoiar uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que criticava apenas as ações do Irã, sem mencionar os ataques de Israel e dos Estados Unidos. A decisão reflete a tentativa de manter uma posição equilibrada diante do conflito.
Países como China e Rússia também demonstraram reservas em relação ao texto, apontando falta de imparcialidade.
Governo vê fragilização da ordem internacional
Independentemente do desfecho da guerra, a avaliação do governo brasileiro é de que o conflito contribui para o enfraquecimento da ordem internacional. A percepção é de que grandes potências têm atuado de forma unilateral, ignorando normas e instituições multilaterais.
Esse cenário, segundo autoridades, pode abrir precedentes para novas intervenções em outras regiões. Há receio de que os Estados Unidos ampliem sua atuação no hemisfério ocidental, com possíveis impactos em países como Cuba.
Presença diplomática brasileira é mantida em Teerã
Apesar das tensões, o Brasil mantém sua representação diplomática em Teerã, com a presença do embaixador e outros diplomatas. O governo segue monitorando a situação de perto, destacando a dificuldade de prever desdobramentos em um cenário marcado por incertezas e negociações em andamento.
A posição oficial brasileira reforça a defesa de soluções diplomáticas e do diálogo como caminhos para evitar uma escalada ainda maior do conflito no Oriente Médio.