Jair Bolsonaro tem prisão domiciliar autorizada por Moraes
Alexandre de Moraes atende pedido da PGR e libera ex-presidente para cumprir pena em casa durante a recuperação de quadro respiratório.
- Publicado: 24/03/2026 15:09
- Alterado: 24/03/2026 15:09
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: STF
O ministro Alexandre de Moraes autorizou que Bolsonaro volte a cumprir pena em regime domiciliar. A decisão atende a um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A medida entra em vigor assim que o político receber alta hospitalar.
O ex-presidente precisou deixar a penitenciária da Papudinha no dia 13 de março e deu entrada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na capital federal. O ex-mandatário cumpria uma pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado.
Evolução clínica de Bolsonaro e boletim médico

O quadro respiratório exige cuidados contínuos. Médicos relatam que o paciente apresentou uma evolução favorável nesta segunda-feira (23). A equipe médica prevê a alta da UTI para as próximas 24 horas, caso a estabilidade se mantenha.
A melhora nos exames é evidente, mas a evolução do quadro ainda ocorre de forma lenta. Essa avaliação partiu do cardiologista Brasil Caiado, responsável por acompanhar a saúde do ex-chefe do Executivo.
Histórico de internações na prisão
Bolsonaro enfrentou diversas complicações de saúde desde a sua prisão preventiva. A defesa já havia solicitado transferências anteriores para garantir assistência médica adequada.
O histórico médico recente do líder do PL inclui:
- Setembro de 2023: Atendimento emergencial por vômitos, tontura e queda de pressão arterial durante prisão domiciliar.
- Janeiro de 2024: Internação após bater a cabeça em um móvel na cela da Polícia Federal.
- Janeiro de 2024 (Transferência): Mudança para a Papudinha, estrutura com fisioterapia, médicos 24 horas e instalações adaptadas.
O peso das decisões judiciais anteriores

Alexandre de Moraes negou um pedido de prisão domiciliar para Bolsonaro no início de março. O magistrado classificou a medida como excepcional e argumentou que o político não preenchia os requisitos legais.
A perícia da Polícia Federal atestou a alta complexidade do quadro clínico, mas descartou a necessidade de ambiente hospitalar naquela época. O detento mantinha uma agenda intensa de visitas políticas, indicando vigor físico.
Mudança de cenário para o custodiado
A estrutura da Papudinha forneceu mais de 140 atendimentos médicos com consultas diárias, mas tornou-se insuficiente frente à complicação pulmonar.
A PGR reavaliou os riscos e recomendou a flexibilização. Moraes recuou de sua posição anterior para garantir a integridade física do condenado. Bolsonaro cumprirá os próximos 90 dias de sua pena em casa, um desdobramento que redefine temporariamente a dinâmica de sua condenação.