Base governista rejeita relatório final da CPI do INSS
A base governista rejeitou o texto final da CPI do INSS que sugeria indiciar 216 pessoas por suposto esquema de R$ 6,3 bilhões em descontos
- Publicado: 28/03/2026 15:37
- Alterado: 28/03/2026 15:37
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Congresso Nacional
A base de apoio ao governo no Congresso Nacional mobilizou-se para rejeitar, na madrugada deste sábado (28), o relatório final da CPI do INSS. O placar de 19 votos a 12 derrubou o texto apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que propunha o indiciamento de 216 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha“, filho do presidente da República.
A sessão, que se estendeu por mais de 15 horas, encerrou-se no limite do prazo regimental para a conclusão dos trabalhos. O relatório derrotado focava em um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, que teria movimentado cerca de R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024.
Articulação política e o placar da votação
A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) foi decisiva para o resultado, entregando nove votos contrários ao parecer de Gaspar. Em contrapartida, o Partido Liberal (PL) liderou a tentativa de aprovação do texto com sete votos favoráveis. Segundo parlamentares da base aliada, o relatório foi considerado “politizado” e apresentado sem tempo hábil para análise profunda de todos os indiciamentos sugeridos.
“O texto analisado foi apresentado minutos antes da sessão, o que inviabiliza uma fundamentação jurídica sólida para pedidos de indiciamento e prisões preventivas desta magnitude”, afirmou um dos parlamentares da base governista durante a madrugada.
Os alvos e as sugestões de indiciamento
O relatório da CPI do INSS não poupava figuras proeminentes da política nacional e do setor financeiro. Além de Lulinha, o documento sugeria o indiciamento de:
- Antônio Carlos Camilo Antunes: Conhecido como “Careca do INSS”, apontado como suposto lobista do esquema.
- Weverton Rocha (PDT-MA): Senador da República.
- Carlos Lupi (PDT): Ex-ministro da Previdência.
- Daniel Vorcaro: Proprietário do Banco Master.
Para o relator Alfredo Gaspar, as provas colhidas durante os meses de investigação da CPI do INSS eram suficientes para justificar as medidas cautelares, incluindo a prisão preventiva de alguns envolvidos.
Impacto financeiro e histórico das irregularidades
A investigação da CPI do INSS detalhou que, embora os descontos indevidos tenham começado em gestões anteriores (2019), o volume financeiro apresentou uma curva acentuada após 2022. O montante de R$ 6,3 bilhões refere-se a valores retirados diretamente da folha de pagamento de beneficiários sem o consentimento formal.
| Período da Investigação | Valor Estimado de Desvios | Foco da Irregularidade |
| 2019 – 2024 | R$ 6,3 bilhões | Descontos associativos não autorizados |
| Pico de crescimento | Pós-2022 | Explosão de reclamações e valores |
Desfecho dos trabalhos da comissão
Com a rejeição do relatório principal, a CPI do INSS encerra suas atividades sem a aprovação do documento que pedia punições severas aos citados. O encerramento ocorreu à 1h deste sábado, prazo final para a validade da comissão mista. Agora, caberá aos órgãos de controle, como o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, decidir pelo aproveitamento das provas colhidas de forma independente ao relatório político da CPI do INSS.