Vendas do varejo de SP caem 4,5% no primeiro trimestre de 2026

Setor comercial sente o peso do crédito restrito e fecha março em baixa, mas faturamento se mantém como o segundo maior da série histórica.

Crédito: Fotos: Alex Cavanha/PSA

O varejo de São Paulo encolheu 4,5% no primeiro trimestre de 2026. A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) revelou um faturamento R$ 16,8 bilhões menor em comparação ao mesmo período anterior.

As vendas em março somaram R$ 127,7 bilhões, o que representa uma queda pontual de 2,7%. O levantamento elaborado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e pela Secretaria da Fazenda (Sefaz-SP) liga o recuo à restrição de crédito.

Impacto dos juros no varejo de bens duráveis

Famílias endividadas encontram extrema dificuldade para assumir novos financiamentos e prestações. O segmento do varejo focado em bens de consumo duráveis absorveu o maior impacto dessa conjuntura econômica restritiva.

Lojas de eletrodomésticos, eletrônicos e departamentos amargaram uma retração expressiva de 22%. O setor de materiais de construção encolheu 8,2%, seguido pelos supermercados com baixa de 5%.

A pesquisa indica que os elevados níveis de endividamento das famílias e a restrição do crédito decorrente dos juros altos seguem impactando negativamente o setor”, apontou o relatório da FecomercioSP.

Faturamento histórico e altas específicas

A retração pontual não apaga os números expressivos movimentados pelo varejo paulista. O montante financeiro alcançado em março figura como o segundo maior de toda a série histórica para este mês específico.

O aumento real da renda e o desemprego controlado continuam segurando o consumo básico das famílias. Quatro atividades econômicas escaparam da tendência geral de queda e registraram números positivos.

As concessionárias de veículos dispararam 16,3%, enquanto o comércio de vestuário e calçados cresceu 2,5%. As lojas voltadas para móveis e decoração avançaram 2,3%, e as farmácias subiram 0,9%.

Perspectivas para os próximos meses

O mercado operou contra uma base de comparação severa após atingir o maior faturamento de sua trajetória em 2025. A proximidade de datas comemorativas promete injetar novo fôlego comercial nas lojas e shoppings do estado.

A contínua resiliência do mercado de trabalho e a geração de empregos seguem como as principais apostas econômicas para a consolidação e retomada do varejo no curto prazo.

  • Publicado: 16/06/2026 10:42
  • Alterado: 16/06/2026 10:42
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FecomercioSP