Veja propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para a saúde

Candidatos à Presidência apresentam diretrizes opostas para a saúde pública com propostas que vão do reforço no SUS a parcerias privadas

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O acesso à saúde e a qualidade dos serviços oferecidos à população estão entre os desafios que o próximo presidente terá de enfrentar. Da redução das filas de espera à ampliação do atendimento especializado, as decisões do governo federal serão determinantes para o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e para a articulação com estados e municípios.

O setor envolve problemas como a demora para consultas e exames, a dificuldade de acesso a especialistas e a necessidade de ampliar a estrutura de atendimento. Nesse contexto, as propostas dos candidatos ajudam a identificar quais caminhos cada um pretende seguir para enfrentar essas demandas.

Diante desse cenário, o ABC do ABC analisou os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para detalhar as propostas de cada candidato para a saúde, as medidas previstas para o SUS e as diretrizes de investimento para os próximos quatro anos.

Propostas de Lula para a saúde

Veja as propostas de Lula para a saúde

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta um conjunto de propostas para ampliar o acesso à saúde pública, reduzir as filas por consultas, exames e cirurgias e fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as principais medidas estão a expansão do programa Agora Tem Especialistas, o fortalecimento do Mais Médicos, a manutenção da gratuidade dos medicamentos do Farmácia Popular e a ampliação da estrutura hospitalar.

O plano de governo também prevê investimentos em inteligência artificial, digitalização de prontuários, prevenção de doenças, vacinação e produção nacional de medicamentos e vacinas. Na área da saúde da mulher, as propostas incluem ampliar o acesso a contraceptivos, fortalecer o diagnóstico precoce de cânceres e reduzir a mortalidade materna.

As medidas integram as diretrizes apresentadas pelo candidato à reeleição e foram detalhadas em levantamentos publicados pelo UOL, pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e pelo IREE.

Candidato à reeleição propõe ampliar o atendimento e reduzir filas no SUS

Uma das prioridades de Lula é diminuir o tempo de espera por consultas com especialistas, exames e cirurgias na rede pública. Para isso, o plano prevê ampliar o Agora Tem Especialistas, programa voltado à expansão do atendimento especializado e à redução das filas do SUS.

A proposta inclui a realização de mutirões de saúde, o uso de unidades móveis, como carretas equipadas para atendimento médico, e a ampliação dos horários de funcionamento dos serviços, inclusive com atendimentos em um terceiro turno.

O objetivo é aproveitar melhor a estrutura disponível e aumentar a capacidade de atendimento de pacientes que aguardam procedimentos especializados. A iniciativa também prevê parcerias com hospitais privados para a realização de exames e cirurgias, com compensação por meio de créditos financeiros ou abatimento de dívidas tributárias, conforme as regras do programa.

A estratégia busca ampliar a oferta de serviços sem depender exclusivamente da construção de novas unidades. O plano, porém, exige articulação com estados, municípios e prestadores de serviços de saúde para que os atendimentos cheguem aos pacientes que mais precisam.

Mais Médicos e fortalecimento da atenção básica

O programa Mais Médicos também aparece entre as prioridades de Lula. A proposta é ampliar a presença de profissionais, especialmente em regiões com dificuldade para fixar médicos e em localidades mais vulneráveis.

O fortalecimento da atenção básica envolve ainda as equipes de Saúde da Família e as equipes multiprofissionais, responsáveis pelo acompanhamento contínuo dos pacientes e pela prevenção de doenças.

O plano prevê melhorar os mecanismos de financiamento desses serviços, considerando a qualidade do atendimento e as necessidades de cada território. A integração entre a atenção primária, a vigilância em saúde, a assistência farmacêutica e os serviços especializados também é apontada como caminho para tornar o SUS mais eficiente.

Lula prevê prontuário digital e inteligência artificial na saúde

A modernização tecnológica é outro eixo das propostas de Lula. O plano prevê consolidar o Prontuário Único do Cidadão, integrado à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), para facilitar o compartilhamento de informações clínicas entre os serviços públicos.

Com a integração dos dados, a intenção é permitir que profissionais de saúde consultem o histórico dos pacientes, reduzindo a repetição desnecessária de exames e facilitando a continuidade dos tratamentos.

O programa também prevê ampliar o acesso digital aos serviços, com a possibilidade de agendamento de consultas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) pelo celular.

A inteligência artificial deverá auxiliar na organização dos atendimentos, na identificação de pacientes com quadros mais graves e no apoio aos diagnósticos. A tecnologia poderá contribuir para identificar prioridades e melhorar a distribuição dos recursos disponíveis.

A implementação dessas ferramentas exige integração entre sistemas, proteção dos dados pessoais e investimentos em infraestrutura digital. O uso da tecnologia, por si só, não elimina a falta de profissionais, equipamentos ou vagas para consultas e procedimentos.

Farmácia Popular deve continuar com medicamentos gratuitos

A manutenção da gratuidade dos medicamentos do Farmácia Popular é outro compromisso de Lula. A proposta prevê dar continuidade ao programa e ampliar os serviços oferecidos à população.

Além da distribuição de medicamentos, o plano contempla a inclusão de exames laboratoriais e serviços de acompanhamento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.

A iniciativa pretende facilitar o monitoramento dos pacientes e reduzir complicações que podem resultar em internações ou agravamento dos quadros clínicos.

O programa também integra a estratégia de ampliar o acesso ao tratamento fora dos hospitais, com atenção especial às pessoas que precisam utilizar medicamentos continuamente.

O fortalecimento da assistência farmacêutica faz parte da proposta de ampliar a cobertura do SUS e garantir que o custo dos tratamentos não se torne uma barreira para os pacientes.

Petista propõe ampliar políticas de saúde para mulheres

A saúde da mulher ocupa espaço específico no plano de Lula, que prevê ampliar o acesso a métodos contraceptivos, fortalecer a prevenção de doenças e melhorar o atendimento durante a gestação.

Entre as medidas está a ampliação do acesso a contraceptivos de longa duração, como o Implanon, pelo SUS. O método é um implante hormonal inserido sob a pele que oferece proteção contraceptiva prolongada.

O plano também prevê a continuidade da distribuição gratuita de absorventes, além do fortalecimento das ações de prevenção e diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero.

Outra prioridade é reduzir a mortalidade materna, por meio da ampliação do acesso ao pré-natal, do acompanhamento durante a gestação e da assistência adequada no parto e no período posterior ao nascimento.

Uma inovação significativa, abordando “cuidados e corresponsabilização”. Trata-se de reconhecer o trabalho de cuidado (frequentemente invisibilizado e exercido por mulheres) como uma questão de política pública.

A saúde da mulher ganha um foco específico no combate à pobreza menstrual, garantindo acesso a absorventes e itens de higiene básica.

As iniciativas buscam ampliar a prevenção e garantir que as mulheres tenham acesso a serviços de saúde em diferentes fases da vida.

Atendimento aos idosos deve ser ampliado

Com o envelhecimento da população brasileira, Lula prevê fortalecer os serviços destinados às pessoas idosas, incluindo o atendimento domiciliar e a ampliação da estrutura de cuidados de longa duração.

Entre as propostas está a expansão do PADI Brasil, voltado à assistência domiciliar. A iniciativa busca permitir que pacientes que necessitam de acompanhamento recebam cuidados em casa, de acordo com as condições clínicas e a estrutura disponível.

O plano também prevê ampliar vagas públicas em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e fortalecer as equipes de Saúde da Família para acompanhar as necessidades da população idosa.

A estratégia pretende ampliar o acesso ao cuidado contínuo e contribuir para que pessoas com limitações de mobilidade ou que necessitam de acompanhamento frequente recebam assistência adequada.

O atendimento domiciliar, no entanto, depende da disponibilidade de equipes multiprofissionais, da organização dos serviços locais e da articulação entre saúde e assistência social.

Lula quer ampliar vacinação e fortalecer a saúde mental

A prevenção de doenças também aparece entre as prioridades do plano. Lula propõe ampliar a cobertura vacinal, reforçar campanhas de imunização nas escolas e expandir a vacinação contra a dengue, além de incorporar novos imunizantes ao calendário conforme as avaliações técnicas e sanitárias.

A estratégia busca recuperar e ampliar a adesão às campanhas de vacinação, proteger grupos vulneráveis e reduzir a ocorrência de doenças que podem ser prevenidas.

Na área da saúde mental, o plano prevê fortalecer os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e ampliar a assistência a crianças e adolescentes.

A proposta considera a necessidade de ampliar o acesso ao atendimento psicológico e psiquiátrico, especialmente diante das demandas relacionadas à ansiedade, à depressão e a outros problemas de saúde mental.

O fortalecimento da rede de atenção psicossocial também busca garantir acompanhamento contínuo, evitando que o atendimento fique restrito a situações de crise ou a serviços de emergência.

Hospitais regionais e universitários estão entre as prioridades

O plano de Lula prevê continuar a ampliação e a modernização de hospitais, policlínicas e outros equipamentos públicos de saúde. A proposta dá sequência a investimentos iniciados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

A ampliação da estrutura hospitalar busca melhorar a distribuição dos serviços especializados e reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para grandes centros urbanos.

Os hospitais universitários também integram a estratégia, tanto pela assistência prestada à população quanto pela formação de profissionais e pelo desenvolvimento de pesquisas.

O plano prevê ainda fortalecer a rede pública de diagnóstico e tratamento do câncer, ampliando a capacidade de atendimento e o acesso aos procedimentos necessários.

Rede Brasil contra o Câncer e produção nacional

Entre os compromissos divulgados pela campanha está a criação da Rede Brasil contra o Câncer, apresentada como uma estrutura pública para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento da doença.

A proposta busca integrar serviços, ampliar a capacidade de atendimento e melhorar a assistência aos pacientes oncológicos.

Outro eixo é o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com investimentos na produção nacional de medicamentos, vacinas, insumos e tecnologias utilizadas pelo SUS.

O plano reconhece que saúde não opera no vácuo e propõe o fortalecimento conjunto do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), tratando vulnerabilidades sociais que impactam diretamente a saúde da população.

Também prevê fortalecer a Hemobrás, empresa pública responsável por atividades relacionadas à produção de medicamentos hemoderivados e biotecnológicos.

A ampliação da produção nacional pretende reduzir vulnerabilidades no abastecimento, diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros e fortalecer a capacidade brasileira de responder a emergências sanitárias.

Atual presidente prevê fortalecer a saúde indígena e garantir o piso da enfermagem

As propostas também incluem a continuidade da atenção diferenciada à população indígena, com participação das comunidades na gestão das políticas de saúde destinadas a esses povos.

A medida considera as particularidades territoriais, culturais e epidemiológicas que influenciam o acesso aos serviços públicos, especialmente em áreas remotas.

Outro compromisso é garantir o piso salarial nacional da enfermagem, além de ampliar oportunidades de formação para profissionais de diferentes áreas da saúde.

A valorização dos trabalhadores é apresentada como parte do fortalecimento do SUS, que depende da disponibilidade de equipes qualificadas para prestar atendimento na atenção básica, nos hospitais e nos serviços especializados.

A efetivação dessas medidas depende das condições de financiamento, da organização dos serviços e da articulação entre os governos federal, estaduais e municipais.

Execução das propostas depende de financiamento e articulação

As propostas de Lula para a saúde combinam a ampliação de programas existentes, a expansão da rede pública, a modernização tecnológica e investimentos na prevenção e no tratamento de doenças.

O levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), publicado em setembro de 2026, analisou os planos de governo de seis candidatos à Presidência e identificou 95 propostas para o setor. Segundo o instituto, 56% das medidas catalogadas já existiam como políticas ou programas do SUS, enquanto 95% exigiam recursos adicionais e 83% dependiam de articulação entre diferentes níveis de governo.

O estudo também destacou que muitos planos não indicavam a origem dos recursos necessários nem detalhavam como seria feita a coordenação entre União, estados e municípios.

No caso das propostas de Lula, a ampliação do atendimento especializado, a modernização de hospitais, a expansão da assistência farmacêutica e os investimentos em tecnologia exigem planejamento orçamentário e capacidade de execução.

Embora o programa estabeleça prioridades para o próximo mandato, a implementação de cada medida dependerá dos recursos disponíveis, da organização dos serviços e da cooperação entre os entes federativos.

As iniciativas apresentadas representam compromissos de campanha e não devem ser confundidas com ações já concluídas. A efetividade das propostas será medida pela capacidade de ampliar o acesso, reduzir o tempo de espera e garantir atendimento de qualidade à população que depende do SUS.

Propostas de Flávio Bolsonaro para a Saúde

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Divulgação

O plano de governo de Flávio Bolsonaro para o período de 2027 a 2030 prevê a implantação de um prontuário eletrônico único, o uso de inteligência artificial (IA) para agilizar consultas e exames e a contratação de serviços da rede privada para ampliar a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O documento também apresenta propostas para corrigir os valores pagos aos prestadores conveniados, fortalecer a prevenção de doenças e ampliar os serviços de saúde mental, saúde da mulher e assistência à população idosa.

As medidas estão distribuídas em diferentes eixos do programa, entre eles o Brasil sem Fila, voltado à redução do tempo de espera por atendimento, e o Brasil por Elas, que reúne iniciativas direcionadas às mulheres. O plano também aborda a assistência a pessoas com deficiência, doenças raras e transtorno do espectro autista (TEA), além de prever ações de apoio a familiares e cuidadores.

A proposta combina digitalização dos serviços, utilização da estrutura hospitalar existente e medidas de prevenção. Entretanto, o documento não apresenta um orçamento consolidado para todas as iniciativas nem um cronograma detalhado de implementação.

Prontuário eletrônico único

Uma das principais propostas é implantar um prontuário eletrônico único, vinculado ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e integrado à plataforma Gov.br. O sistema deverá reunir o histórico de consultas, exames, vacinas e prescrições médicas, permitindo o compartilhamento de informações entre estabelecimentos públicos e privados.

Segundo o plano, a iniciativa pretende reduzir a fragmentação dos dados de saúde, que podem estar distribuídos entre documentos físicos, sistemas informatizados e diferentes unidades de atendimento. Com a integração, os profissionais poderão consultar informações relevantes sobre o histórico clínico dos pacientes, mesmo quando o atendimento anterior tiver ocorrido em outro estabelecimento.

O documento cita como exemplo a possibilidade de médicos de pronto-socorro identificarem rapidamente os medicamentos utilizados por um paciente e eventuais alergias. A proposta também busca evitar a repetição desnecessária de exames e facilitar a continuidade do tratamento durante encaminhamentos entre postos de saúde, hospitais e especialistas.

O plano afirma que o processo de integração começou durante o governo Jair Bolsonaro, com o Conecte SUS e a rede nacional de informações de saúde. A intenção é concluir esse trabalho e ampliar a interoperabilidade dos sistemas.

A implantação deverá observar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o sigilo médico, o consentimento dos pacientes e os protocolos de segurança da informação.

Digitalização do SUS e uso de inteligência artificial

Inteligência Artificial - IA - Propriedade Intelectual
(Imagem/Freepik)

O programa prevê completar a digitalização do SUS e utilizar inteligência artificial para organizar o agendamento de consultas e exames. A ferramenta deverá identificar a primeira vaga compatível disponível e ajudar a direcionar os pacientes para os serviços com capacidade de atendimento.

A iniciativa busca reduzir o tempo de espera e aproveitar melhor a estrutura existente. O plano também prevê o uso da tecnologia para identificar pessoas com maior risco de desenvolver doenças e convocá-las para consultas e exames preventivos antes que os quadros se agravem.

A proposta aproxima a estratégia de atendimento de um modelo preventivo, no qual os serviços de saúde procuram identificar riscos antes que os pacientes precisem de atendimento de emergência.

O documento, porém, não especifica quais sistemas serão utilizados, como funcionará a integração com as centrais de regulação nem quais critérios serão adotados para definir a prioridade dos pacientes. Também não estabelece metas numéricas para a redução das filas.

Correção da Tabela SUS

Na área de financiamento, Flávio propõe corrigir os valores da Tabela SUS, utilizada como referência para a remuneração de hospitais, Santas Casas e clínicas conveniadas pelos serviços prestados ao sistema público.

O plano afirma que a legislação sobre reajustes já existe, mas que as limitações orçamentárias não permitiram enfrentar a defasagem dos pagamentos. Segundo o documento, a situação afeta principalmente hospitais filantrópicos e prestadores de serviços no interior do país.

A proposta é assegurar uma remuneração que cubra os custos reais dos atendimentos, com o objetivo de melhorar as condições financeiras das instituições e ampliar a oferta de serviços nas localidades em que a estrutura assistencial é insuficiente.

O programa não informa os percentuais de reajuste pretendidos, quais procedimentos seriam priorizados ou o impacto financeiro estimado da medida.

Contratação de serviços da rede privada

Outra proposta é contratar consultas, exames e procedimentos da rede privada nos horários em que hospitais e clínicas tenham capacidade ociosa.

A estratégia pretende aproveitar equipamentos e estruturas disponíveis enquanto pacientes do SUS aguardam atendimento. Segundo o plano, utilizar essa capacidade permitiria ampliar a oferta de serviços sem depender exclusivamente da construção de novas unidades.

A medida está relacionada ao objetivo de reduzir as filas e acelerar a realização de procedimentos diagnósticos. O documento, no entanto, não detalha como seriam selecionados os estabelecimentos contratados, quais valores seriam pagos ou como funcionaria a fiscalização dos serviços.

Saúde da Família e exames preventivos

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Divulgação/Governo de SP

O plano prevê ampliar a Estratégia Saúde da Família para aproximar o atendimento médico da população e fortalecer o acompanhamento dos pacientes perto de suas residências.

A proposta integra as medidas voltadas à prevenção e à ampliação do acesso à assistência básica. O documento também prevê aumentar a oferta de exames preventivos, manter as campanhas de vacinação e incentivar a produção nacional de imunizantes.

A intenção é ampliar a identificação precoce de doenças e reduzir a necessidade de tratamentos em estágios avançados. Apesar das diretrizes, o programa não estabelece metas específicas para a expansão das equipes de Saúde da Família, a quantidade de exames adicionais ou o volume de vacinas que se pretende produzir.

Telessaúde e teleatendimento

Para atender pessoas que vivem longe dos grandes centros ou enfrentam dificuldades de deslocamento, Flávio propõe ampliar a telessaúde e o teleatendimento por aplicativos.

O plano prevê que médicos de regiões com menor demanda possam atender remotamente pacientes de localidades onde as filas são maiores. A iniciativa busca aproveitar a disponibilidade de profissionais e reduzir barreiras geográficas ao acesso às consultas.

Na assistência farmacêutica, a proposta é criar um sistema de entrega de medicamentos em domicílio para idosos, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas. A medida pretende facilitar a continuidade dos tratamentos e reduzir a necessidade de deslocamentos frequentes para retirar remédios.

O documento não especifica quais medicamentos serão distribuídos, como funcionará a logística das entregas ou quais critérios serão utilizados para definir os beneficiários.

Atendimento à população idosa

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(Imagem/Canva)

O programa de governo prevê duas iniciativas relacionadas à população idosa. A primeira é a criação do Programa de Atendimento aos Idosos no SUS, com o objetivo de facilitar o acesso aos serviços e adequar o atendimento às necessidades de quem envelhece.

A segunda é o Casa Segura para Envelhecer, que prevê subsídios para adaptações de acessibilidade nas residências de famílias de menor renda. A iniciativa busca permitir que idosos permaneçam em suas casas com melhores condições de segurança e mobilidade.

O plano também prevê desenvolver um aplicativo de companhia com alertas de perigo, para auxiliar no monitoramento de situações de risco e oferecer mais tranquilidade a familiares que vivem longe. Outra medida é ampliar as instituições de longa permanência para idosos, destinadas a pessoas que não podem receber cuidados familiares suficientes.

O documento não detalha o valor dos subsídios, os critérios de seleção das famílias ou a quantidade de instituições que deverão ser ampliadas.

Saúde da mulher e unidades móveis

As propostas para a saúde feminina estão reunidas no programa Brasil por Elas, que prevê ações de prevenção, atendimento médico e acompanhamento em diferentes fases da vida.

O plano menciona a ampliação do acesso a exames preventivos, como mamografias e exames de Papanicolau, além do acompanhamento da gestação, da atenção à menopausa e do diagnóstico e tratamento da endometriose. A proposta também inclui atendimento especializado em saúde bucal.

Outra medida é criar uma estrutura de unidades móveis de saúde da mulher, com ônibus e caminhões adaptados para levar consultas e exames às periferias e aos municípios do interior. Barcos adaptados também são previstos para atender populações ribeirinhas e comunidades isoladas da Região Amazônica.

O programa contempla ainda o uso da assistente virtual ClarIA, baseada em inteligência artificial, para auxiliar no agendamento de consultas, enviar lembretes de exames preventivos e oferecer informações sobre serviços de saúde e suporte psicológico.

O documento não apresenta o número de unidades móveis previstas, a frequência dos atendimentos ou o investimento necessário para colocar as iniciativas em funcionamento.

Saúde mental, autismo e doenças raras

O fortalecimento da atenção à saúde mental também integra o plano. Entre as propostas estão ampliar o diagnóstico precoce e o atendimento a crianças com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), além de reforçar a assistência a pessoas com depressão e ansiedade.

O programa prevê atenção aos idosos com Alzheimer e outras doenças neurológicas, bem como apoio às pessoas responsáveis pelos cuidados desses pacientes.

Para pessoas com deficiência e doenças raras, o documento defende políticas integradas entre diferentes áreas do governo, com ações voltadas à garantia de direitos, à inclusão e à autonomia. Entre as medidas previstas está a implantação de Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista (TEA), com atendimento especializado.

O plano também prevê ampliar o suporte aos cuidadores familiares, que frequentemente precisam conciliar a assistência a pessoas dependentes com o trabalho e outras responsabilidades. A proposta é oferecer apoio às famílias e ampliar as alternativas de atendimento.

O documento não informa quantos centros de referência serão criados, quais equipes profissionais serão disponibilizadas ou como será organizada a expansão dos serviços de saúde mental.

Rede Nacional de Cuidado prevê centros-dia e assistência domiciliar

O plano reconhece a sobrecarga das famílias que cuidam de crianças, idosos e pessoas com deficiência. Para ampliar o suporte, prevê estruturar uma Rede Nacional de Cuidado, com centros-dia e atendimento domiciliar em parceria com estados, municípios e organizações sociais.

A iniciativa busca dividir parte das responsabilidades do cuidado com uma rede de serviços, permitindo que familiares tenham mais apoio no acompanhamento de pessoas que dependem de assistência contínua.

A proposta integra as ações voltadas à população idosa, às pessoas com deficiência e aos cuidadores. O documento, porém, não detalha a quantidade de centros-dia, a distribuição territorial dos serviços ou os recursos destinados à rede.

Modernização dos hospitais universitários federais

Na área hospitalar, Flávio propõe fortalecer a Rede Nacional de Hospitais Inteligentes, vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), para modernizar os hospitais universitários federais.

A iniciativa faz parte da estratégia de atualização da estrutura pública de saúde e de melhoria da capacidade de atendimento dessas unidades. O plano, entretanto, não especifica quais hospitais serão contemplados primeiro, quais tecnologias serão incorporadas ou quanto será investido na modernização.

Saneamento básico e prevenção de doenças

O plano também relaciona a prevenção de doenças à ampliação do acesso à água potável e ao esgotamento sanitário. A proposta defende acelerar a aplicação do Marco Legal do Saneamento Básico de 2020, com concessões e parcerias público-privadas para buscar a universalização dos serviços até 2033, incluindo atenção ao saneamento rural.

O documento prevê ainda cumprir a meta de que nenhuma escola fique sem água até 2030 e erradicar lixões a céu aberto por meio do Programa Lixão Zero.

As medidas são apresentadas como parte de uma estratégia de prevenção de doenças associadas à falta de saneamento e de redução de problemas de saúde relacionados às condições ambientais.

Plano reúne tecnologia, prevenção e parcerias

As propostas para a saúde no plano de governo de Flávio Bolsonaro combinam digitalização do SUS, uso de inteligência artificial, contratação de serviços privados e ampliação de iniciativas preventivas. O documento também prevê ações direcionadas às mulheres, aos idosos, às pessoas com deficiência, aos pacientes com doenças crônicas e às famílias responsáveis pelos cuidados.

Apesar da abrangência, o programa não apresenta um orçamento consolidado, metas quantitativas para a maioria das medidas ou um cronograma completo de execução. A implementação dependerá da definição dos recursos, dos critérios de atendimento e da articulação entre os governos federal, estaduais e municipais, além dos prestadores privados envolvidos nas propostas.

  • Publicado: 21/10/2026 17:50
  • Alterado: 21/10/2026 17:50
  • Autor: Redação
  • Fonte: ABC do ABC