Flávio aceita quebrar sigilos se Lula cumprir condições

Em resposta a Lula no TSE, Flávio Bolsonaro aceita abrir dados dos últimos 20 anos se petista liberar cartão corporativo e sigilos de assessores

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O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) protocolou uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em resposta ao desafio de quebra de sigilos lançado pelo presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No documento, o senador afirma aceitar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, mas impôs uma série de condicionantes dirigidas à campanha do adversário.

A troca de petições na Justiça Eleitoral ocorre na reta final da campanha de segundo turno das Eleições de 2026, que registram um cenário de disputa acirrada entre as candidaturas do PT e do PL nas pesquisas de intenção de voto.

Condições apresentadas e acusações de opacidade

A iniciativa inicial sobre o levantamento de sigilos foi anunciada por Lula durante debate na TV Bandeirantes e formalizada no TSE com uma declaração de autorização para os dados do petista, da primeira-dama Janja da Silva e do primogênito Fábio Luiz Lula da Silva (Lulinha) referentes aos últimos oito anos.

Flávio Bolsonaro - Lula
(Divulgação)

Ao responder ao despacho endereçado ao ministro André Mendonça, a defesa de Flávio Bolsonaro classificou a medida do petista como insuficiente. Flávio Bolsonaro autorizou a abertura de seus dados e de quatro empresas das quais é sócio por duas décadas, além de liberar o acesso a registros de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Em contrapartida, Flávio condicionou a efetivação da medida à quebra de sigilos bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos de assessores, familiares e pessoas ligadas a Lula desde 2003. Entre os pedidos constam:

  • Assessores e Familiares: Quebra de sigilo do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), dos filhos do presidente, do ex-tesoureiro João Vaccari Neto, da lobista Roberta Luchsinger e de Frei Chico (vice-presidente do Sindnapi e irmão de Lula).
  • Entidades e Contas: Abertura das contas do Instituto Lula, da empresa L.I.L.S. Palestras e das transações ligadas a negócios dos familiares no exterior.
  • Transparência Pública e Agendas: Divulgação integral dos gastos do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023, agendas institucionais de Janja da Silva, registros de entradas de visitantes nos palácios do Planalto e da Alvorada durante encontros com o setor financeiro e informações sobre voos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).

Inquéritos no STF e desdobramentos eleitorais

Na mesma petição enviada ao TSE, Flávio Bolsonaro negou sociedade ou benefício direto em relação à empresa Alcazar Holdings, pertencente ao advogado Willer Tomaz, alvo de investigações sobre lavagem de dinheiro.

flávio bolsonaro
(Fernando Frazão/Agência Brasil)

O candidato do PL é objeto de dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), que apuram suas relações financeiras com o advogado e negociações com recursos do Banco Master para o financiamento da cinebiografia “Dark Horse”. A defesa do senador nega qualquer ilegalidade nas operações.

O tema das autorizações de sigilo deve figurar entre os debates centrais do confronto entre os dois candidatos presidenciais no debate promovido pela TV Globo nesta sexta-feira (23/10/2026).

  • Publicado: 21/10/2026 18:24
  • Alterado: 21/10/2026 18:24
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: ABC do ABC