Trump exigiu que Brasil liberasse ‘dissidentes’ na eleição

Governo norte-americano incluiu exigência sobre opositores em lista com 21 demandas enviadas ao Itamaraty durante crise tarifária.

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O governo Trump enviou um documento sigiloso ao Itamaraty com a exigência de que o Brasil permita a participação de dissidentes políticos nas eleições de 2026. A revelação partiu de um furo de reportagem do jornal O Estado de São Paulo, que teve acesso à lista de 21 demandas entregue pelos americanos em outubro de 2025. O movimento diplomático ocorreu durante as negociações bilaterais para reverter o tarifaço imposto ao país.

As fontes diplomáticas confirmaram que o texto exigia do país o compromisso com eleições presidenciais livres e justas, proibindo a prisão ou detenção arbitrária de opositores políticos no processo eleitoral. A cúpula governamental interpretou a medida como uma ofensiva para garantir a viabilidade eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão.

O que dizia a exigência sobre as eleições

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Os diplomatas americanos enviaram uma lista com 21 tópicos de exigências condicionando a reversão das sobretaxas à adoção de políticas internas específicas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apenas uma minoria dessas cláusulas tratava diretamente de comércio exterior ou parcerias bilaterais conjuntas.

Quatro pontos dessa lista adentravam na esfera político-institucional doméstica. A questão eleitoral dominou o debate interno nos ministérios brasileiros, configurando um entrave nas negociações preliminares em Washington.

Reação imediata da diplomacia brasileira

A proposta circulou restritamente entre membros do nível técnico e a equipe de negociação despachada aos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, analisou o conteúdo na residência oficial da embaixada brasileira antes das rodadas de negociação de alto nível.

O documento é inaceitável e não serve como base para nada”, determinou o chanceler à sua equipe de negociadores.

A instrução garantiu que a demanda política fosse bloqueada e omitida dos diálogos oficiais com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, mantendo a pauta concentrada apenas nos aspectos econômicos.

Pressão de Trump sobre o ambiente digital

Lula e Trump - Reunião
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A ofensiva de Trump incluiu cobranças explícitas sobre a atuação do Judiciário brasileiro frente a empresas de tecnologia e usuários da internet. O pacote exigia que o Brasil assumisse o compromisso de não penalizar entidades protegidas pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que garante as liberdades de expressão e imprensa.

Os negociadores americanos traçaram exigências diretas para barrar bloqueios judiciais e ordens de remoção de conteúdo no ambiente online brasileiro. O governo norte-americano elencou as seguintes garantias obrigatórias:

  • Fim da aplicação de multas extraterritoriais contra provedores de serviços digitais.
  • Blindagem contra congelamento de ativos ou prisão de cidadãos americanos.
  • Estabelecimento de notificação prévia e oportunidade de recurso em processos ligados a publicações nas redes sociais.
  • Criação de regras objetivas sobre responsabilidade civil das plataformas.

Impacto financeiro e sanções

O cerco diplomático também mirou o setor bancário nacional. O documento previa que o governo brasileiro proibisse punições a instituições financeiras que cumprissem restrições da Lei Magnitsky.

A pauta reflete a ação do Escritório de Controle de Ativos Financeiros (Ofac), que aplicou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. O bloqueio gerou apreensão no mercado sobre como os bancos operariam diante do confronto institucional entre o Supremo Tribunal Federal e as autoridades americanas.

O contexto da guerra tarifária

Estados Unidos aplica tarifaço de 12,5% ao Brasil sobre trabalho forçado
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As exigências surgiram como moeda de troca meses após a criação do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, estabelecido no segundo semestre do ano passado. A Suprema Corte dos EUA derrubou a tarifaço no início de 2026, porém as barreiras comerciais não foram totalmente eliminadas.

No último mês de julho, a Casa Branca impôs novas taxas, aplicando sobretaxas de 25% por supostas práticas desleais e 12,5% sob alegação de falha no combate ao trabalho forçado. O Itamaraty buscará revisar o cenário em um novo encontro diplomático agendado para a cúpula do G-20 no final de setembro.

O histórico recente de retaliações financeiras e investidas políticas mostra a reconfiguração nas relações diplomáticas do hemisfério. Apesar do documento com imposições eleitorais ter sido rechaçado de imediato pelo Brasil, a administração de Trump mantém o peso comercial como principal instrumento de pressão na agenda com o governo federal.

  • Publicado: 17/09/2026 10:21
  • Alterado: 17/09/2026 10:28
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Assessoria