Reprovação ao governo Lula chega a 43%, aponta Ipsos-Ipec
Levantamento Ipsos-Ipec mostra salto na desaprovação do governo para 43%. Confiança no presidente e visão econômica influenciam o cenário.
- Publicado: 17/09/2026 11:31
- Alterado: 17/09/2026 11:31
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Ipsos-Ipec
A avaliação negativa do governo de Lula registrou um salto de cinco pontos percentuais entre junho e setembro. O novo levantamento da Ipsos-Ipec mostra que 43% dos brasileiros avaliam a atual administração como ruim ou péssima. A oscilação ocorreu principalmente pela queda do grupo que considerava a gestão regular.
Enquanto a insatisfação cresceu, a aprovação se manteve praticamente estável. O índice da população que enxerga o mandato como ótimo ou bom passou de 32% para 33%. A fatia de entrevistados que classifica o governo como regular recuou de 28% para 23%.
“A pesquisa indica um endurecimento da opinião pública em relação ao Governo Federal. Embora a avaliação positiva permaneça estável, a avaliação negativa avança impulsionada principalmente pela redução dos que classificavam a administração como regular”, avaliou Márcia Cavallari, head da Ipsos-Ipec.
Desaprovação da forma como Lula administra o país
A forma específica como Lula conduz o país divide a população com uma tendência de baixa. Os dados revelam que 42% dos entrevistados aprovam a atuação do presidente, marcando um ligeiro recuo em relação aos 44% registrados em junho. Já a desaprovação da gestão subiu de 50% para 53%, consolidando uma maioria crítica.
A confiança depositada na figura central do poder Executivo acompanhou o viés negativo. Atualmente, 40% dos brasileiros dizem confiar no mandatário, contra 57% que afirmam não ter confiança no presidente. A expectativa geral também reflete frustração, visto que 45% avaliam a gestão como pior do que esperavam.
Percepção econômica e recortes demográficos
O bolso do eleitor exerce impacto direto nos números atuais do governo Lula. O estudo aponta que 45% dos cidadãos consideram que a situação econômica piorou nos últimos seis meses. Contudo, o otimismo em relação ao futuro cresceu. A parcela que acredita em melhora da economia nos próximos seis meses subiu para 42%, reduzindo o pessimismo sobre o cenário financeiro para 25%.
Os recortes da pesquisa evidenciam divisões claras na base de apoio e rejeição, destacando cenários demográficos específicos:
- Avaliação ótima ou boa chega a 65% entre eleitores de 2022 do atual presidente e alcança 47% entre moradores do Nordeste.
- Aprovação atinge 46% entre famílias com renda de até um salário mínimo, sustentando a popularidade na base da pirâmide socioeconômica.
- Rejeição bate 80% no eleitorado de Jair Bolsonaro, demonstrando a forte polarização herdada do último pleito nacional.
- Desaprovação alcança 62% entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, avançando também sobre os evangélicos com 55% de avaliação ruim ou péssima.
O levantamento ocorreu presencialmente entre os dias 9 e 13 de setembro, escutando 2.000 pessoas em 130 municípios brasileiros. Com margem de erro estimada em 2 pontos percentuais, a pesquisa reflete os desafios de Lula para reverter a insatisfação popular e alinhar as expectativas econômicas na reta final de seu atual mandato.