Tarifaço dos EUA pode ser confirmado com novas exceções
Decisão sobre o tarifaço dos EUA deve sair nesta quarta (15), enquanto governo Lula prepara reação e avalia medidas de reciprocidade
- Publicado: 15/07/2026 15:45
- Alterado: 15/07/2026 15:45
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
O representante de Comércio da Casa Branca, Jamieson Greer, comunicou ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que a recomendação para impor um tarifaço sobre produtos brasileiros será mantida. De acordo com relatos de uma autoridade brasileira, a decisão oficial será publicada nesta quarta-feira (15) e deverá incluir uma ampliação da lista de produtos que ficarão de fora da sobretaxa. A expectativa do setor privado é que novos segmentos também sejam excluídos da cobrança adicional de 25%.
A investigação comercial foi concluída no início de junho. Na sequência, foram abertas consultas públicas e realizadas audiências em Washington, reunindo representantes dos setores afetados no Brasil e nos Estados Unidos. Durante essas discussões, a maior parte dos participantes manifestou posição contrária à adoção das novas tarifas.
Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, a entrada em vigor das medidas poderá ocorrer imediatamente após a divulgação da decisão ou alguns dias depois.
Investigação teve início em 2025 e cita Bolsonaro

A investigação baseada na seção 301 foi aberta em julho de 2025 como parte das medidas anunciadas pelo então presidente republicano, que justificou a iniciativa alegando haver uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na carta divulgada no ano passado, o republicano afirmou que “a forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar imediatamente”.
Desde maio deste ano, representantes do governo brasileiro vêm mantendo reuniões com autoridades americanas. Os encontros começaram após a visita de Lula à Casa Branca, quando foi acertada a criação de um grupo de trabalho formado por integrantes dos dois países para analisar, de forma conjunta, os temas relacionados ao processo.
A previsão inicial era de que esse grupo atuasse por um mês. No entanto, a conclusão da investigação foi divulgada antes do término desse prazo. Mesmo com a continuidade das conversas entre Brasil e Estados Unidos, aliados do governo relataram que não houve espaço para negociações e que os americanos aplicariam o tarifaço independentemente das tratativas.
Governo brasileiro contesta decisão e estuda resposta
Na terça-feira (14), representantes do governo brasileiro participaram de uma última reunião com autoridades americanas. Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que voltou a defender junto aos Estados Unidos “o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas”.
O ministério destacou que “como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas”. A pasta acrescentou ainda que, seguindo orientação do presidente Lula, reiterou que a imposição de qualquer sobretaxa é considerada injusta e não contribui para a construção de um acordo bilateral que seja satisfatório para ambos os países.
Lula pode autorizar medidas de reciprocidade
Integrantes do governo pretendem recomendar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a retomada de medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta ao tarifaço.
A possibilidade foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, o processo de reciprocidade havia sido iniciado anteriormente, mas sua tramitação foi suspensa após uma mudança de cenário envolvendo o tarifaço, em conformidade com a legislação aprovada pelo Congresso Nacional.
“O processo de reciprocidade foi iniciado no passado. A gente chegou a suspender a tramitação, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás do tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade”, afirmou o ministro.