Bolsonaro não sabia que carta seria publicada, diz defesa ao STF
A defesa de Bolsonaro afirmou ao STF que o ex-presidente não sabia da divulgação da carta e nega qualquer descumprimento das medidas cautelares
- Publicado: 15/07/2026 17:02
- Alterado: 15/07/2026 17:02
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
A defesa de Jair Bolsonaro (PL) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma manifestação afirmando que o ex-presidente não tinha conhecimento de que a carta enviada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seria divulgada publicamente. Segundo os advogados, ele também desconhecia que a publicação poderia ser interpretada como violação das restrições determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes.
Na petição, a equipe de defesa argumenta que, em ocasiões anteriores, quando o ex-presidente esteve submetido às mesmas limitações, outras correspondências escritas por ele chegaram a ser divulgadas sem que isso provocasse qualquer questionamento sobre eventual descumprimento das medidas cautelares.
O documento foi assinado por cinco advogados responsáveis pela defesa de Bolsonaro no processo que investiga a suposta trama golpista, além do próprio senador Flávio Bolsonaro.
Advogados negam tentativa de burlar restrições

Os defensores também afirmam que o ex-presidente não utilizou terceiros para contornar as determinações judiciais e que permanece cumprindo rigorosamente todas as medidas cautelares desde o início do regime de prisão domiciliar.
De acordo com a manifestação, a decisão de publicar a carta nas redes sociais foi tomada sem qualquer comunicação prévia ao ex-presidente.
“A circunstância de a carta ter sido posteriormente divulgada em redes sociais decorreu de decisão adotada sem que houvesse prévia ciência do Peticionário“, registra a defesa.
Moraes proibiu visita de Flávio por 90 dias

Na segunda-feira (13), o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro fique impedido de visitar o pai durante 90 dias. A decisão foi tomada após o magistrado concluir que o senador descumpriu a medida cautelar que proíbe Bolsonaro de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, inclusive por intermédio de terceiros, ao divulgar a carta no último fim de semana.
No texto da correspondência, o ex-presidente afirma que Flávio é seu “porta-voz” e o nome escolhido para representá-lo politicamente.
Ao justificar a decisão, Moraes afirmou que o senador utilizou “expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto” e classificou a divulgação da carta como um “instrumento de promoção política”.
Defesa de Flávio contesta decisão
Após a determinação judicial, Tracy Reinaldet, advogado da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, divulgou nota classificando a decisão de Alexandre de Moraes como ilegal e inconstitucional. Segundo ele, a defesa adotará as medidas cabíveis para reverter a determinação, mantendo o compromisso de respeitar as instituições.
Os advogados também sustentam que a proibição de visitas viola dispositivos da Lei de Execução Penal, do Estatuto da Advocacia e da Constituição Federal, por restringir o direito de contato entre familiares e impedir a manutenção de vínculo com o mundo exterior.
Antes da decisão, o senador possuía acesso livre ao pai por estar habilitado no processo na condição de advogado de Bolsonaro.