SUS oferece 100 mil atendimentos em saúde mental a mulheres
Serviço no Meu SUS Digital contempla mulheres vítimas de violência, mães atípicas e cuidadoras de pessoas com deficiência ou doenças raras
- Publicado: 25/08/2026 16:26
- Alterado: 25/08/2026 16:26
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Governo Federal
O Ministério da Saúde deu início, nesta segunda-feira (24), à oferta nacional de 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental direcionados a mulheres em situação de violência e a mães atípicas em todo o Brasil. A iniciativa contempla ainda familiares e cuidadoras que se dedicam ao suporte de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
Disponibilizado por meio do aplicativo Meu SUS Digital, o programa busca democratizar o acesso à assistência psicológica humanizada, eliminando barreiras de deslocamento e garantindo acolhimento especializado para que nenhuma mulher enfrente quadros de vulnerabilidade ou sobrecarga sem suporte.
A expansão nacional ocorre após a fase piloto do projeto, focado em atendimento a vítimas de violência, iniciada em março do mesmo ano nas capitais de Pernambuco (Recife) e do Rio de Janeiro. A nova fase estende a cobertura a todos os estados do país e incorpora formalmente as cuidadoras familiares ao público prioritário.
Crescimento de 100% nas Notificações de Violência e Cuidado Não Remunerado

A ampliação do serviço apoia-se em indicadores alarmantes de saúde pública e assistência social. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) revelam que os registros formais de violência física, psicológica, sexual e financeira contra mulheres saltaram de 167,4 mil, em 2015, para 348,5 mil, em 2025 um avanço superior a 100% no intervalo de dez anos.
Paralelamente, a inclusão das mães atípicas e cuidadoras responde a desigualdades estruturais de gênero. Segundo levantamentos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 75% de todo o trabalho de cuidado não remunerado no mundo é executado por mulheres.
A oferta remota visa garantir um espaço de escuta sem que a mulher precise abrir mão da rotina de atenção contínua dedicada aos familiares. A medida dá continuidade ao fortalecimento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Deficiência (PNAISPD), atualizada em 2023 para incluir suporte sistemático às famílias.
Como Acessar o Teleatendimento no App

As usuárias cadastradas na plataforma oficial do SUS recebem notificações de orientação nos celulares. O fluxo de agendamento é realizado de forma digital:
- Acesso à Conta: Entrar no aplicativo Meu SUS Digital utilizando as credenciais da conta gov.br;
- Navegação em Miniapps: Acessar a seção de “Miniapps” e selecionar o ícone “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”;
- Triagem no AgSUS: A paciente é redirecionada para a plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) para cadastro inicial e indicação da motivação (situação de violência vivida/atual ou rotina de cuidadora);
- Agendamento em 24 Horas: A equipe de suporte entra em contato em até 24 horas para definição do dia e horário das sessões, com envio prévio de lembretes e link do ambiente virtual.
Protocolo de Atendimento, Sessões e Emergências
O acompanhamento psicológico é conduzido por uma rede formada exclusivamente por psicólogas mulheres, capacitadas pelo Ministério da Saúde para escuta sensível, mapeamento de risco e identificação de redes de apoio comunitárias.
- Ciclos de Consultas: Cada usuária pode realizar até 10 sessões de psicologia por ciclo, com possibilidade de renovação mediante avaliação técnica. Caso haja necessidade de continuidade de longo prazo, a paciente é encaminhada para acompanhamento presencial em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de seu município;
- Horários de Funcionamento: As consultas ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h;
- Situações de Risco Imediato: Diante de ameaça iminente ou emergência física, a usuária é orientada e auxiliada no acionamento imediato dos canais de resgate, como o SAMU (192) ou a Polícia Militar (190). Nos casos graves que não exijam intervenção policial imediata, articuladores territoriais do SUS realizam os encaminhamentos para os serviços de saúde do município.