Dia de Combate à Dengue: especialista alerta para riscos

No Dia Internacional de Combate à Dengue, infectologista reforça prevenção contínua diante das mudanças climáticas

Crédito: (Divulgação)

Celebrado em 26 de agosto, o Dia Internacional de Combate à Dengue faz um alerta para uma das principais arboviroses do mundo e reforça a necessidade de manter ações preventivas ao longo de todo o ano. Embora a doença apresente pico de incidência em períodos quentes e chuvosos, alterações climáticas como ondas de calor extremo, tempestades intensas e fases prolongadas de estiagem criam condições favoráveis para a proliferação do mosquito Aedes aegypti em todas as estações.

Projeções do sistema InfoDengue, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027, exigindo o fortalecimento contínuo das estratégias de vigilância sanitária, controle do vetor e engajamento comunitário.

Impacto dos Eventos Climáticos no Ciclo do Mosquito

Fenômenos climáticos como o El Niño demonstraram como variações de temperatura e regimes irregulares de chuva interferem diretamente na dinâmica de transmissão da doença. O aumento das temperaturas acelera o ciclo de desenvolvimento do Aedes aegypti e reduz o tempo de incubação do vírus no inseto, enquanto chuvas intensas favorecem o acúmulo de água limpa e parada, criando novos criadouros.

Aedes aegypti - Mosquito da Dengue
(Divulgação/Pixabay)

A infectologista do São Cristóvão Saúde, Dra. Michelle Zicker, destaca que a eliminação contínua dos focos é a medida mais eficaz para conter surtos epidêmicos:

“As ações preventivas devem ocorrer durante todo o ano, especialmente fora dos períodos de maior transmissão, para evitar surtos. Quando a epidemia já está instalada, o controle do vetor tem eficácia limitada, pois o tempo necessário para reduzir a população do mosquito é maior do que a velocidade de disseminação do vírus”, explica a médica.

Recomendações Práticas e Inspeção Semanal

A especialista reforça que dedicar apenas cinco minutos por semana para inspecionar a casa e o quintal é suficiente para interromper o ciclo de reprodução do mosquito.

As principais recomendações preventivas incluem:

  • Telas e Repelentes: Instalar telas de proteção em portas e janelas e aplicar repelentes corporais em áreas de transmissão;
  • Eliminação de Recipientes: Descartar ou guardar em locais cobertos garrafas, vasos, baldes e pneus velhos;
  • Vedação e Limpeza: Manter caixas d’água, cisternas e reservatórios hermeticamente fechados, além de limpar calhas, lajes e ralos com frequência;
  • Vasos de Plantas: Adicionar areia até a borda nos pratos de vasos de plantas;
  • Descarte Correto: Destinar entulhos, sucatas e lixo doméstico para a coleta pública.

Sintomas, Perigo da Automedicação e Sinais de Alerta

Dengue

Os sintomas iniciais da dengue surgem geralmente entre quatro e dez dias após a picada do mosquito infectado e podem ser confundidos com os de uma virose ou gripe comum. Manifestações frequentes incluem febre alta, dores musculares e articulares, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, fadiga e manchas avermelhadas na pele.

A Dra. Michelle Zicker adverte para os riscos da automedicação diante da suspeita de dengue:

“Medicamentos que contêm ácido acetilsalicílico (AAS/aspirina) e alguns anti-inflamatórios não esteroides podem aumentar o risco de sangramentos e agravar a evolução da doença. Por isso, o tratamento deve sempre ser orientado por um profissional de saúde”, ressalta a infectologista.

Sinais de Alarme para Busca de Socorro Imediato:

Entre o terceiro e o sétimo dia do início dos sintomas, o paciente deve ficar atento ao surgimento de sinais de alerta que indicam a evolução para formas graves:

  1. Dor abdominal intensa, contínua e terna ao toque;
  2. Vômitos persistentes;
  3. Sangramentos de mucosas (nariz, gengivas ou na urina/fezes);
  4. Sonolência excessiva, letargia ou confusão mental;
  5. Dificuldade respiratória ou falta de ar;
  6. Queda súbita da pressão arterial e tontura.

Os Quatro Sorotipos e o Risco de Segunda Infecção

Dengue
Governo de SP

A dengue é causada por quatro sorotipos virais distintos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). A infecção por um dos tipos confere imunidade permanente apenas para aquele sorotipo específico, mantendo a pessoa suscetível aos demais.

A infectologista explica que uma segunda infecção por um sorotipo diferente eleva o risco de complicações severas devido ao fenômeno de amplificação dependente de anticorpos:

“Os anticorpos produzidos durante a primeira infecção podem facilitar a entrada de um novo sorotipo nas células do sistema imunológico, favorecendo a replicação viral e intensificando a resposta inflamatória. Isso pode resultar em maior gravidade clínica, reforçando a importância tanto da vacinação quanto das medidas de prevenção”, detalha a Dra. Michelle Zicker.

Vacinação como Aliada na Prevenção

A vacinação contra a dengue atua como uma ferramenta complementar de proteção individual e coletiva, auxiliando na redução de internações hospitalares, casos graves e óbitos.

Contudo, a médica reitera que o combate ao vetor permanece insubstituível:

“A vacinação é uma ferramenta importante para reduzir os casos graves, mas não substitui o controle do mosquito. A eliminação dos criadouros continua sendo a principal medida para prevenir a dengue e outras arboviroses, como zika e chikungunya. A prevenção é uma responsabilidade compartilhada e faz toda a diferença para proteger a comunidade”, conclui a especialista.

  • Publicado: 25/08/2026 16:50
  • Alterado: 25/08/2026 16:50
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria