STF retoma julgamento sobre royalties do petróleo após 13 anos

Decisão pode redistribuir receitas do petróleo entre estados e impactar cofres públicos em todo o país

Crédito: Reprodução

O Supremo Tribunal Federal petróleo, deve retomar na próxima semana o julgamento sobre a distribuição dos royalties do petróleo, tema que permanece em disputa há mais de uma década. A análise envolve ações que questionam a constitucionalidade da Lei 12.734/2012, responsável por alterar a divisão dos recursos entre estados produtores e não produtores.

A expectativa em torno do julgamento mobilizou representantes de diversos estados em Brasília, incluindo governadores e entidades municipalistas. O tema já foi pautado outras vezes, mas decisões anteriores acabaram sendo adiadas.

Entenda o que está em jogo

A legislação em discussão prevê ampliar significativamente a participação de estados e municípios não produtores na arrecadação de royalties. Pelo modelo aprovado em 2012, essas unidades passariam a receber cerca de 49% da receita, ante aproximadamente 7,5% no formato atual.

Também está previsto um período de transição de sete anos para suavizar perdas de estados que hoje concentram a maior parte dos recursos, como o Rio de Janeiro.

Impacto bilionário para estados produtores

O Rio de Janeiro, principal beneficiário dos royalties, estima perdas expressivas caso a redistribuição seja validada. Segundo dados apresentados em debates públicos, o impacto pode chegar a R$ 21 bilhões por ano, somando efeitos sobre o estado e municípios.

A redução da receita pode afetar diretamente áreas como previdência, saúde, educação e segurança pública, já que parte significativa desses recursos é destinada ao financiamento de políticas públicas.

Municípios não produtores defendem nova divisão

Por outro lado, entidades como a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) argumentam que os recursos do petróleo devem ser distribuídos de forma mais equilibrada. A justificativa é que as riquezas minerais pertencem à União e, portanto, a todos os brasileiros.

A proposta de redistribuição ganhou força após a expansão da produção com o pré-sal, que elevou significativamente a arrecadação de royalties e ampliou a concentração de recursos em regiões específicas.

Decisão pode redefinir equilíbrio fiscal

O julgamento no STF é visto como decisivo para o futuro das finanças públicas estaduais e municipais. De um lado, estados produtores alegam risco de colapso fiscal; de outro, governos de regiões menos beneficiadas defendem a redução das desigualdades regionais.

A decisão final poderá estabelecer novos parâmetros para a distribuição de uma das principais receitas do setor de energia no Brasil, com efeitos diretos sobre investimentos públicos em todo o país.

  • Publicado: 03/05/2026 18:39
  • Alterado: 03/05/2026 18:39
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress