Setembro Amarelo reforça importância da escuta e do acolhimento
Voluntária do CVV alerta que atenção diária, diálogo aberto e campanhas responsáveis são essenciais para reduzir riscos e combater tabus sobre saúde mental
- Publicado: 24/09/2025 10:25
- Alterado: 24/09/2025 10:26
- Autor: Ghretta Pasuld
- Fonte: ABCdoABC
O Setembro Amarelo é um momento de conscientização sobre a prevenção do suicídio, mas, como lembra Leila Heredia, porta-voz nacional do Centro de Valorização da Vida (CVV), a atenção à saúde mental deve ser constante. “Quando uma pessoa descobre que pode falar livremente, sem medo de ser julgada, abre-se a possibilidade de colocar para fora o que está pesado, de dar nome à dor e encontrar algum alívio em se ouvir e dividir essa dor”, afirma.
Segundo Leila, o CVV recebe ligações de pessoas que querem compartilhar sentimentos de angústia, tristeza, medo ou até mesmo momentos de alegria. Por ser um serviço anônimo e sigiloso, não há dados detalhados sobre o perfil de quem procura ajuda, mas o que mais preocupa é a intensidade do sofrimento relatado.
A voluntária destaca que todos podem atuar na prevenção, observando mudanças de comportamento, oferecendo escuta atenta e compreensiva e quebrando tabus sobre pedir ajuda. “Quando percebemos que está tudo bem não estar bem, as pessoas se sentem mais encorajadas a buscar apoio”, explica.
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Setembro Amarelo: Estigma e saúde mental
O preconceito em torno da saúde mental ainda persiste, muitas vezes ligado à ideia de fraqueza ou de estar “mal da cabeça”. “O medo do julgamento é muito forte. Mas assim como outros temas de saúde, como o câncer, a fala aberta ajuda a reduzir o estigma”, diz Leila.

Para aumentar a efetividade das campanhas, os municípios podem fortalecer a prevenção em rede, envolvendo escolas, unidades de saúde e garantindo que a atenção à saúde emocional seja uma política pública permanente.
Para além do calendário
Leila reforça que o Setembro Amarelo cumpre seu papel ao abrir espaço para diálogo, mas alerta que a prevenção precisa ir além de um mês no calendário. A comunicação, segundo ela, deve ser cuidadosa: sem divulgar métodos ou romantizar o suicídio. “Mais de 15 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no Brasil. É um fenômeno complexo e multifatorial que requer responsabilidade na forma como se fala sobre ele”.
O exemplo do CVV mostra que o acolhimento e o apoio emocional podem ser oferecidos em toda a sociedade, inspirando práticas no Grande ABC e em outras regiões.