São Paulo recebe 6ª Caminhada do Silêncio pelas vítimas da violência

Ato marcado para 29 de março sai do antigo DOI-Codi e segue até o Parque Ibirapuera em defesa de memória, verdade, justiça e reparação

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A cidade de São Paulo recebe no dia 29 de março a 6ª edição da Caminhada do Silêncio pelas Vítimas de Violência do Estado, manifestação que busca reafirmar a importância da memória histórica e da defesa da democracia. Com o mote “aprender com o passado para construir o futuro”, o ato terá concentração às 16h, em frente ao antigo DOI-Codi de São Paulo, na Rua Tutóia, na Vila Mariana.

O local foi um dos principais centros de repressão política durante a Ditadura Militar Brasileira, período marcado por perseguições, torturas, desaparecimentos forçados e assassinatos de opositores do regime.

A caminhada reúne centenas de participantes que seguem em silêncio absoluto até o Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, no Parque Ibirapuera. O gesto simbólico busca expressar indignação e respeito às vítimas da violência estatal, reforçando a continuidade da luta por memória, verdade, justiça e reparação.

Manifestação reúne organizações e familiares de vítimas

Caminhada do Silêncio - Violência
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A iniciativa é organizada pelo Movimento Vozes do Silêncio, representado pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, em parceria com o Instituto Vladimir Herzog. O ato também conta com a participação de familiares de vítimas da violência do Estado, defensores de direitos humanos e representantes da sociedade civil.

Para Maurice Politi, ex-preso político e diretor executivo do Núcleo de Preservação da Memória Política, a caminhada tem papel importante na preservação da memória democrática. “A Caminhada do Silêncio realizada anualmente em São Paulo, desde 2019, é um ato de civismo para que violências como as que ocorreram no passado não se repitam e para que as do presente não sejam ignoradas.”

O diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sotilli, afirma que a mobilização também surge como resposta a tentativas de apagamento histórico. “A Caminhada do Silêncio nasce como uma resposta coletiva ao autoritarismo e às tentativas de apagamento. Após cinco edições, queremos retomar o sentimento que originou essa manifestação. Temos vivido tempos em que a defesa do Estado democrático de Direito ficou muito delegada às mais altas instituições, mas seguimos enfrentando ataques graves contra a democracia.”

Dados recentes reforçam debate sobre violência

Caminhada do Silêncio - Violência
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Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registrou 34.086 mortes violentas intencionais em 2025, incluindo homicídios, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. O número representa uma queda de 11% em relação a 2024, mas o país registrou recorde de feminicídios, com 1.470 mulheres assassinadas por razões de gênero.

No campo histórico, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, publicado em 2014, reconheceu 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura militar brasileira, sendo que 210 pessoas permanecem desaparecidas.

Em fevereiro de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, votou para afastar a aplicação da Lei da Anistia em casos de crimes permanentes, como ocultação de cadáver. A proposta permitiria a retomada de processos criminais contra ex-agentes da ditadura ligados a episódios como a repressão à Guerrilha do Araguaia.

A Caminhada do Silêncio também integra o calendário oficial da cidade de São Paulo por meio da Lei nº 17.886, de autoria do deputado estadual Antonio Donato.

Serviço: 6ª Caminhada do Silêncio

Data: 29 de março de 2026
Concentração: 16h
Local: Em frente ao antigo DOI-Codi
Endereço: Rua Tutóia, 921 – Vila Mariana – São Paulo
Início da caminhada: 17h
Encerramento: Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos
Local: Próximo ao Portão 10 do Parque Ibirapuera – Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Vila Mariana

  • Publicado: 16/03/2026 11:42
  • Alterado: 16/03/2026 11:45
  • Autor: 16/03/2026
  • Fonte: ABCdoABC