Santos supera a média do Brasil na vacinação contra HPV
A estratégia de vacinação nas escolas em Santos elevou a cobertura vacinal para quase 100%, reduzindo em 66% os casos de câncer de colo do útero na região.
- Publicado: 15/03/2026 17:30
- Alterado: 15/03/2026 17:30
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Prefeitura de Santos
A cidade de Santos consolidou-se como o principal modelo de imunização contra o papilomavírus no Brasil ao registrar índices de cobertura que superam amplamente a média nacional. O sucesso da estratégia local, fundamentada na busca ativa dentro das instituições de ensino, atraiu a atenção de especialistas e autoridades sanitárias que agora defendem a replicação do método santista em outros municípios brasileiros.
Performance vacinal acima da meta
A meta estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) é de 90% de cobertura. Enquanto o Brasil ainda luta para alcançar esse patamar, o município de Santos atingiu a marca impressionante de 98,31% entre o público de 9 a 14 anos em 2023. No ano passado, o índice manteve-se robusto em 97%, demonstrando a consistência das ações públicas.
Dados preliminares de 2025 reforçam o abismo positivo entre a cidade e o restante do país. O governo local aplicou o imunizante em 89,4% das meninas e 82,7% dos meninos. Em comparação, a média brasileira estagnou em 82% para o público feminino e apenas 67% para o masculino.
A escola como hub de saúde
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, aponta que o diferencial reside no acesso facilitado. Adolescentes raramente frequentam unidades básicas de saúde por iniciativa própria.
“Se você leva a vacina na escola, você faz 300 doses em uma única tarde. Os programas de sucesso em todo o mundo têm como base a vacinação escolar”, afirma Kfouri.
Além da presença física nas escolas, a gestão de Santos utiliza ferramentas digitais para monitoramento nominal. Através do CPF e endereço, o sistema identifica exatamente quem ainda não recebeu a dose única, permitindo convocações diretas via WhatsApp ou SMS.
Impacto direto na redução do câncer
A eficácia da vacina em Santos não é medida apenas em agulhadas, mas na queda drástica de patologias graves. A cidade registrou uma diminuição de 66,6% nas taxas de câncer de colo de útero. Este vírus é o primeiro agente infeccioso com associação comprovada ao desenvolvimento de tumores malignos em diversas áreas do corpo.
- Prevenção Primária: A vacina evita a infecção pelos tipos mais agressivos do vírus.
- Economia Pública: Imunizar é mais barato e eficiente do que manter rastreamentos constantes e tratamentos oncológicos complexos.
- Redução de Mortalidade: No Brasil, cerca de 6 mil mulheres morrem anualmente devido ao câncer de colo uterino.
Futuro da imunização e a vacina nonavalente
Atualmente, o SUS disponibiliza a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos de vírus e cobre 70% dos casos de câncer. Existe, contudo, uma articulação do Ministério da Saúde para a incorporação da vacina nonavalente. Esta nova versão amplia a proteção para 90% dos casos.
O Instituto Butantan já trabalha na transferência de tecnologia para produzir o imunizante em solo nacional. Enquanto a novidade não chega ao sistema público, Santos segue aprimorando o uso do teste de DNA HPV, uma tecnologia mais sensível que o Papanicolau tradicional, para identificar lesões pré-malignas com maior precisão.