SAF: Dia Mundial alerta para riscos do álcool na gestação
SAF: data mundial lembrada nesta quarta (9) reforça que não existe dose segura de bebida alcoólica durante a gravidez
- Publicado: 08/09/2026 17:48
- Alterado: 08/09/2026 17:48
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
O consumo de qualquer quantidade de bebida alcoólica durante a gravidez pode causar danos irreversíveis ao bebê. O alerta médico ganha força nesta quarta-feira (9), data escolhida internacionalmente para marcar o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). A escolha do nono dia do nono mês é uma alusão simbólica aos nove meses de gestação em que a abstinência deve ser absoluta.
A SAF representa o quadro mais grave dos chamados Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF). A condição é caracterizada por uma série de malformações congênitas que afetam diretamente o desenvolvimento físico, cognitivo, comportamental e emocional da criança.

Embora seja uma condição 100% evitável, o cenário no Brasil é preocupante. O Instituto Olinto Marques de Paulo (OMP), entidade que lidera campanhas de conscientização sobre o tema no país, estima que mais de 450 mil gestantes brasileiras mantêm o hábito de consumir álcool, muitas vezes por total desconhecimento dos riscos.
Um estudo realizado na periferia de São Paulo aponta que 38 a cada 1.000 recém-nascidos sofrem de algum transtorno relacionado à exposição ao álcool na vida intrauterina. O número real, no entanto, é mascarado pela gigantesca subnotificação: estimativas indicam que menos de 1% das crianças afetadas recebem o diagnóstico correto.
Danos Irreversíveis e Tolerância Zero
A médica ginecologista e obstetra Rosiane Mattar, diretora científica da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), é categórica ao afirmar que o consumo da substância pode elevar o risco de alterações no feto em até 65 vezes.

“A SAF pode acarretar vários tipos de malformações congênitas e não há nível seguro para o consumo de bebidas alcoólicas na gestação. A recomendação é evitar qualquer tipo e quantidade”, alerta a especialista. Segundo ela, a exposição intrauterina pode causar deformidades faciais, restrição do crescimento craniano e cerebral, crescimento lento, além de problemas graves na visão, audição, rins e coração.
Como a doença não tem cura, os danos neurológicos e físicos são permanentes. O diagnóstico precoce ajuda apenas a abrandar as manifestações na primeira infância por meio de tratamentos de suporte multidisciplinar.
Atenção ao “Álcool Oculto”
A gestora do Instituto OMP, Sara Assis, reforça que a abstinência é a única forma de proteger a criança. Ela chama a atenção, inclusive, para produtos do dia a dia que podem conter a substância de forma “oculta” ou não intencional.
O alerta se estende ao consumo de chás fermentados (como a Kombucha), bombons recheados com licor, receitas caseiras que levam destilados na composição e até mesmo algumas cervejas rotuladas comercialmente como “zero álcool”, que podem conter traços residuais da substância dependendo da legislação de fabricação.
Para combater a desinformação, o Instituto OMP mantém uma forte campanha digital que já alcançou cerca de 5 milhões de pessoas. A ação seguirá ativa até as festas de fim de ano, período historicamente marcado pelo maior consumo de bebidas pela população.