Relator da CPMI do INSS liga escândalo ao Banco Master e à Operação Coffee Break
Deputado Alfredo Gaspar afirma que parte de R$ 150 milhões desviados teria passado por fundo ligado ao crime organizado
- Publicado: 12/03/2026 13:35
- Alterado: 12/03/2026 13:35
- Autor: Márcio Prado
- Fonte: Assessoria
Nesta manhã, durante entrevista coletiva no saguão do Congresso Nacional, o relator da CPMI do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), associou o escândalo envolvendo descontos irregulares em benefícios do INSS ao Banco Master e a uma empresa investigada na Operação Coffee Break. A investigação levou à prisão o vice-prefeito de Hortolândia, Carlos Augusto César, conhecido como Cafu, e também mencionou a ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao criticar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que permitiu que a empresária Leila Pereira — dona da Crefisa, uma das instituições financeiras citadas no escândalo do INSS, e presidente do Palmeiras — não comparecesse à sessão desta terça-feira da CPMI para prestar depoimento, o deputado revelou novos pontos levantados pelas investigações.
Segundo Alfredo Gaspar, surgiu a informação de que cerca de R$ 150 milhões desviados teriam sido direcionados a um fundo de investimento supostamente ligado ao crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC). “Para minha surpresa, essa rede se encontra com uma empresa que foi alvo da Operação Coffee Break, que envolve a ex-nora do presidente Lula”, afirmou o parlamentar.
Empresa investigada em esquema de kits educacionais

A empresa citada pelo deputado seria a Life Tecnologia Educacional, investigada por atuar na venda de kits educacionais, livros e materiais didáticos para prefeituras por meio de licitações supostamente superfaturadas. Entre os contratos investigados estão os de Sumaré, no valor de R$ 51,9 milhões, e Hortolândia, de R$ 17,9 milhões.
De acordo com o Ministério Público, apenas cerca de 17% dos valores pagos chegavam aos fornecedores reais. O restante do dinheiro teria sido desviado por meio de empresas intermediárias e operadores financeiros.
Segundo as investigações, essas empresas intermediárias — consideradas de fachada — recebiam e redistribuíam os recursos provenientes da Life Tecnologia Educacional, apontada como empresa central do esquema.
Além das empresas, a Polícia Federal identificou operadores financeiros, doleiros e lobistas responsáveis por intermediar contratos com administrações municipais.
Até o momento, as prefeituras citadas nas investigações são as de Sumaré, Hortolândia, Limeira e Morungaba. Em todos os casos, segundo os investigadores, o esquema seguia um padrão: a empresa vencedora da licitação emitia notas fiscais com valores superfaturados e, em seguida, transferia os recursos para empresas intermediárias, responsáveis por realizar saques, transferências e pagamentos aos operadores.
Investigação aponta atuação de operadores políticos

Um dos operadores e lobistas apontados pela investigação seria Carlos Augusto César, o Cafu, vice-prefeito de Hortolândia. Segundo o Ministério Público, ele atuaria como intermediador político do esquema juntamente com o secretário de Educação Fernando Gomes de Moraes.
Cafu, segundo a delação de um ex-chefe de gabinete da Câmara Municipal de Rio Grande da Serra, no ABC Paulista, também atuaria na região por meio de pagamentos a políticos e lobby para contratos, também na Educação e Saúde.
Ainda de acordo com as apurações, ambos teriam atuado em conjunto com Abdalla Ahmad Fares, ligado ao núcleo empresarial da organização, e com Eduardo Maculan, apontado como integrante do núcleo financeiro.
CPMI busca ampliar prazo para aprofundar apurações

Diante das revelações, o relator da CPMI do INSS busca ampliar o prazo de funcionamento da comissão para aprofundar as investigações. A intenção é aprovar novas convocações de pessoas citadas no inquérito e avançar no rastreamento da rede de empresas e operadores envolvidos.
Segundo Alfredo Gaspar, a comissão pretende convocar todos os nomes mencionados ao longo das investigações. Entre eles, segundo o parlamentar, poderia estar inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a revelação de que o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, teria sido recebido no Palácio do Planalto fora da agenda oficial..
Márcio Prado

Márcio Prado, mais conhecido como Peninha, carrega há anos o apelido inspirado no personagem dos gibis da Disney. Jornalista com mais de uma década de atuação, ele encontrou no jornalismo investigativo sua vocação, movido pela indignação diante de apurações superficiais e pela determinação em expor esquemas de corrupção, desvios de recursos e práticas ilícitas no poder público e na iniciativa privada. Seu trabalho vai além da publicação direta: muitas vezes contribui de forma anônima com órgãos de investigação, fortalecendo a cidadania e reafirmando o papel da imprensa como fiscal da sociedade.