Prisão de traficantes, apreensão de drogas e de hotéis: a desarticulação do crime no centro do SP
Por décadas, a área das cenas abertas de uso foi ocupada por centenas de dependentes químicos, explorados pelo crime organizado
- Publicado: 13/05/2025 13:56
- Alterado: 13/05/2025 13:56
- Autor: Redação
- Fonte: SSP
O perímetro entre a rua dos Protestantes e a General Couto Magalhães, no Santa Ifigênia, centro de São Paulo, abrigou durante décadas usuários e traficantes de drogas. As ações integradas desenvolvidas por diversos órgãos de governo nos últimos anos na região alteraram o panorama da área, que ficou conhecida como cenas abertas de uso. Nos últimos meses, houve a redução expressiva no número de pessoas que se concentravam no local.
A explicação passa por uma série de ações integradas desencadeadas pelo Governo de São Paulo. Entre elas estão o combate ao crime organizado, intensificado na atual gestão da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
“Priorizamos o combate ao tráfico de drogas desde o início da gestão por entendermos se tratar de um crime que movimenta os demais delitos da região central. Então, uma série de ações em segurança pública asfixiou financeiramente o crime organizado, desestabilizando a estrutura que mantinha o fluxo”, explicou o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite.
“Foram diversas apreensões de drogas, prisões de lideranças que atuavam na área e o fechamento de estabelecimentos usados para lavar o dinheiro obtido com a venda de entorpecentes. Essas ações se somaram ao reforço no policiamento e a intensificação de investigações, separando o criminoso do dependente químico”, acrescentou o secretário.
A cadeia ilícita que era “alimentada” pelo crime organizado resultou na queda de roubos e furtos na área central de São Paulo. Em 2024, os roubos diminuíram 43,9% na área das cenas abertas (4,4 mil ocorrências) na comparação com o ano anterior. Os furtos caíram 28,8%, chegando a 11 mil registros.
Ações desenvolvidas no centro de SP
Desde o início da gestão, a pasta passou a fazer um monitoramento detalhado das principais ações a se fazer no local, com reuniões feitas em conjunto com as demais secretarias e a população local.
No ano passado, a SSP entregou novas unidades policiais, como a sede da Força Tática do 7º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) e a 3ª Companhia da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), do 7º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), com o reforço de 400 policiais na região central.
Os agentes que atuam na área das cenas abertas de uso também passaram por um treinamento para aprimorar a abordagem de pessoas em situação de vulnerabilidade social. (Veja mais abaixo)
Qualificação
A Polícia Militar também passou a qualificar os usuários do fluxo, separando o criminoso de dependente químico, que são encaminhados ao Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas, do Governo de São Paulo, para tratamento. Além disso, câmeras de monitoramento voltadas apenas para a captura de procurados da Justiça foram instaladas na região central — afastando os criminosos que se escondiam no fluxo.
“Existe uma equipe 24 horas da PM todos os dias da semana nas cenas abertas de uso, além de uma central de monitoramento que observa quem frequenta o local. As câmeras, que são integradas ao programa Muralha Paulista, têm ajudado a prender criminosos em tempo real. Isso aumentou consideravelmente o número de captura de procurados”, disse o tenente-coronel Rodrigo Villardi, da Coordenadoria de Análise e Planejamento da SSP.
Conforme o balanço da SSP, cerca de 4 mil foragidos da Justiça foram capturados na área do fluxo desde janeiro de 2023. Em todo o centro da capital, 15,7 mil criminosos foram presos, além de 505 armas de fogo ilegais apreendidas e mais de 1,2 mil veículos recuperados. Em 27 meses, cerca de 6,5 toneladas de drogas apreendidas.
Para o tenente-coronel Villardi, a diminuição das aglomerações de usuários na região das cenas abertas de uso é resultado da intensificação dessas ações ao longo dos anos, além da prisão de lideranças de facção que atuavam no centro da capital e o fechamento de diversos imóveis usados como ponto do tráfico na área do fluxo.
Prisões
Em pouco mais de dois anos, lideranças da facção criminosa que explorava o tráfico na região foram presas.
Investigações também foram realizadas pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), que conseguiu desmontar o ecossistema financeiro do crime organizado que atuava na região central.
Por meio da Operação Downtown, deflagrada em cinco fases, hotéis e pensões usados não só para lavar o dinheiro da facção, mas como um ponto de uso e distribuição de entorpecentes, foram fechados judicialmente. Ferros velhos usados pela criminalidade na região também foram investigados. Mais de R$ 200 milhões em bens foram apreendidos.
Em maio de 2024, a Polícia Civil conseguiu rastrear um criminoso que atuava como “fornecedor” de drogas para a região central de São Paulo. O homem foi preso em Rubineia, no interior do estado, com uma carga de 450 quilos de cocaína, que seria distribuída na capital paulista.
Em novembro de 2023, dois integrantes de uma organização criminosa foram presos no Bom Retiro, no centro da capital, com 280 quilos de cocaína. De acordo com as investigações, os homens, de 29 e 35 anos, eram responsáveis pela distribuição de drogas na área das cenas abertas de uso.
Policiais capacitados para oferecer ajuda
No ano passado, foi lançado pela SSP um treinamento para policiais que atuam na região central para aprimorar a abordagem de pessoas em situação de vulnerabilidade social que frequentam o fluxo.
O curso trouxe orientações sobre direitos humanos, política estadual sobre drogas, ações de saúde e assistência social, tráfico ilegal e policiamento orientado por resultados.
Atendimento de saúde
O Governo de São Paulo também é responsável por oferecer linhas de cuidado para o tratamento de dependentes químicos, muitos deles concentrados na região do centro de São Paulo.
Desde 2023, o Governo de São Paulo conta com o HUB de Cuidados em Crack e outras drogas, que oferece tratamento continuado a dependentes químicos. Em 2024, foram 45,9 mil atendimentos realizados, com 26,4 mil pacientes atendidos. Destes, 20 mil foram encaminhados para instituições como hospitais especializados, comunidades terapêuticas, UBSs, AMEs e Hospitais Gerais.