Presidente do PL admite que houve plano de golpe no governo Bolsonaro

Presidente do partido reconhece planejamento para barrar a posse de Lula e tenta minimizar crimes envolvendo militares e Bolsonaro.

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O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou nesta quarta-feira que o alto escalão político estruturou um plano para um golpe de Estado. A movimentação ocorreu nos últimos dias do governo de Jair Bolsonaro, logo após a derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.

O líder partidário tratou a tentativa de ruptura institucional como um rascunho descartado. “Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois está errado e para no meio?”, questionou o dirigente durante entrevista à Rádio Gaúcha.

A declaração expõe os bastidores da transição presidencial. Ao ser indagado sobre possíveis reincidências em futuras candidaturas da legenda, o político hesitou inicialmente, mas negou na sequência. “Pode haver planejamento, não existe isso. Nunca, jamais”, garantiu.

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Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mesmo admitindo as articulações, o dirigente minimizou a gravidade dos atos que culminaram na invasão de Brasília. Ele defendeu publicamente o perdão aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 e apoiou a soltura de militares detidos.

“Tudo bem, discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe, e daí?”, justificou o presidente da sigla. Ele argumentou que a mera intenção não configura infração penal, comparando o caso político à desistência de um assassinato premeditado.

Condenação de Bolsonaro e plano contra autoridades

As investigações que cercam o núcleo central já resultaram em punições severas. O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes contra a democracia, envolvendo organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A Justiça apontou o antigo mandatário como líder das movimentações antidemocráticas. O político cumpre a pena em prisão domiciliar, benefício mantido pelo ministro do STF Alexandre de Moraes devido à melhora no quadro de saúde de Bolsonaro e à ausência de faltas disciplinares recentes.

Os inquéritos também desvendaram detalhes do plano terrorista batizado de Punhal Verde e Amarelo. A Polícia Federal descobriu que a cúpula extremista arquitetou o assassinato de autoridades da República para garantir a permanência no poder.

Militares com formação em forças especiais monitoraram alvos institucionais em dezembro de 2022. O escopo da operação incluía capturar ou matar o presidente e o vice-presidente recém-eleitos, além de juízes da Suprema Corte, cenário que agrava a situação jurídica da liderança do PL.

  • Publicado: 08/10/2026 07:18
  • Alterado: 08/10/2026 09:04
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Assessoria