Preço do petróleo registra segunda semana de queda consecutiva
O preço do petróleo acumulou perdas após cancelamento de reuniões entre EUA e Irã, enquanto o mercado avalia cessar-fogo no Líbano
- Publicado: 19/06/2026 22:59
- Alterado: 19/06/2026 22:59
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
O mercado global de petróleo encerrou a semana mantendo a tendência de desvalorização pelo segundo período consecutivo. Os investidores operam cautelosos diante das oscilações geopolíticas no Oriente Médio, avaliando os impactos do cancelamento das negociações entre Estados Unidos e Irã e a recente intensificação dos conflitos na região.
O barril Brent, que atua como a principal referência internacional, registrou uma queda semanal de 7,96%, superando o recuo de 6,19% verificado na semana anterior. Apesar da trajetória de queda nos últimos dias, o pregão diário desta sexta-feira apresentou uma leve reação de alta de 0,66%, fazendo com que a commodity encerrasse a sessão cotada a US$ 80,38.
Instabilidade no Oriente Médio afeta cotações
Durante a semana, o preço do petróleo Brent chegou a atingir a marca mínima de US$ 76,64. O índice representa o menor valor registrado desde o início de março, período que coincidiu com a escalada das tensões na região produtora do Irã.
A volatilidade ganhou novos contornos após Israel e o grupo Hezbollah concordarem com um cessar-fogo temporário no Líbano, confirmado por ambas as nações à agência Reuters. A trégua tenta frear o desgaste diplomático, uma vez que o encerramento dos combates na região é tido como condição essencial para avanços em tratados econômicos mais amplos na região.
Contudo, as frentes diplomáticas entre Washington e Teerã na Suíça foram suspensas. A Casa Branca evitou detalhar os motivos do adiamento, limitando-se a comunicar que a logística das negociações internacionais possui caráter complexo e imprevisível.
“Isso deixa à mostra o caminho difícil que temos pela frente para alcançar uma retomada plena e ininterrupta do fluxo de petróleo pelo estreito de Hormuz. Sem dúvida, as notícias sobre o acordo de cessar-fogo prolongado continuarão a moldar o sentimento do mercado”, avaliou Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates.
Projeções de oferta e estoque global
Especialistas do setor estimam que uma resolução diplomática definitiva possa liberar gradualmente mais de 85 milhões de barris de petróleo retidos no Golfo Pérsico. O movimento prevê o fim das sanções norte-americanas à commodity iraniana, o que ampliaria de forma significativa a oferta no mercado financeiro.
Atualmente, cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) escoa diretamente pelo Estreito de Hormuz. Instituições financeiras globais já revisam suas projeções de preços diante deste cenário:
- Citi: Aponta 60% de probabilidade de normalização dos fluxos, estimando superávit na oferta e recuo dos preços para a faixa entre US$ 60 e US$ 65 até o início de 2027.
- Commerzbank: Reduziu a previsão do Brent para US$ 80 até o final deste ano, prevendo recuperação gradual da produção de petróleo.
Retomada da produção regional
No Iraque, a infraestrutura local sinaliza prontidão para reaver a estabilidade operacional. O ministro do Petróleo do país, Basim Mohammed, garantiu que os campos petrolíferos estão preparados para normalizar o bombeamento de cru, restabelecendo os níveis anteriores de exportação.
Pelo lado do consumo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) detalhou em seu relatório World Oil Outlook que a demanda global deve saltar de 105,1 milhões de barris por dia (bpd) para 113,3 milhões de bpd nos próximos anos. O equilíbrio do setor, no entanto, segue dependente da estabilização geopolítica e da perenidade dos acordos de paz.