Copom corta Selic para 14,25% e divide economistas sobre próximos passos

O Banco Central confirmou as expectativas ao cortar os juros básicos, mas a extensão do horizonte de metas para 2028 divide analistas.

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano nesta quarta-feira (17). A decisão atendeu às projeções do mercado financeiro, mesmo diante de um cenário econômico doméstico aquecido e de pressões inflacionárias crescentes. Para justificar o movimento, a autoridade monetária estendeu o horizonte relevante de convergência da inflação para o primeiro trimestre de 2028.

O colegiado reconheceu a piora nas condições globais, influenciada por tensões no Oriente Médio e incertezas sobre a economia dos Estados Unidos. No Brasil, a atividade econômica forte gerou revisões para cima nas expectativas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O mercado agora avalia se o ciclo de afrouxamento monetário continuará ou se o país entrará em um período de pausa estratégica.

Avaliação do mercado sobre a trajetória da Selic

A comunicação sobre a Selic adotada pelo BC surpreendeu parte das instituições financeiras ao estender o prazo de análise da inflação. “O comitê justificou o corte com o argumento de que o horizonte relevante na próxima reunião será o primeiro trimestre de 2028, e não mais o final de 2027”, explicou Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg. O especialista prevê uma nova redução em agosto, levando a taxa básica para 14%.

Essa manobra técnica de alongar as projeções embasou a manutenção dos cortes. “Na nossa avaliação daqui até a próxima reunião em agosto, acumularemos mais notícias negativas, favorecendo uma pausa no processo de ajuste”, projetou Carlos Lopes, economista do Banco BV. Ele mantém o cenário base com a taxa básica estacionada no patamar atual até o final de 2026.

Divergências sobre o encerramento do ciclo

A cautela guia a leitura de gestoras de patrimônio diante da desancoragem dos preços. “O mercado buscará entender se este foi efetivamente o último ajuste do ciclo ou apenas uma pausa antes de futuras decisões”, argumentou Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos. Ele aponta que o espaço para novas flexibilizações está severamente reduzido.

Outros analistas enxergam fôlego para flexibilizações adicionais baseadas nos próprios modelos estatísticos da autoridade monetária. “O ciclo continuará num ritmo de 0,25 em 0,25, o que nos parece alinhado com a comunicação que o BC fez hoje, levando a taxa ao final do ano para 13,25%, calculou Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval.

Os próximos passos da equipe econômica dependerão da divulgação de novos dados de atividade e do comportamento das contas públicas. Os investidores monitoram a ata da reunião para extrair pistas mais claras. A evolução da taxa Selic ditará o ritmo do crédito, do consumo e dos investimentos corporativos no segundo semestre.

  • Publicado: 18/06/2026 08:19
  • Alterado: 18/06/2026 08:19
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: ABCdoABC