PF investiga acesso com perfil master de Flávio Bolsonaro
Relatório da PF aponta que Flávio Bolsonaro figurou como usuário master em conta de offshore portuguesa no Santander
- Publicado: 14/10/2026 10:46
- Alterado: 14/10/2026 10:46
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: ABC do ABC
Relatórios internos de inteligência da Polícia Federal trouxeram à tona a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos cadastros de uma instituição bancária europeia. Ele constava como “usuário master” de uma conta mantida pela offshore Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira (Portugal). A empresa detinha participação direta na propriedade de uma aeronave executiva utilizada pelo parlamentar em viagens internacionais. As informações foram divulgadas pela jornalista Malu Gaspar em matéria publicada pelo jornal O Globo.
Cadastro bancário, perfil de acesso e cancelamento no Santander
A qualificação de “usuário master” em sistemas bancários dá ao titular plenos poderes de gerenciamento, permitindo movimentações e consultas operacionais. Por conta dessa prerrogativa, a equipe de investigação trabalha com a linha de apuração de que o congressista possa ter mantido um papel de sócio oculto ou beneficiário econômico da firma, embora não exista comprovação formal de sociedade em seu nome.
A descoberta ocorreu após o cruzamento de arquivos armazenados no serviço de nuvem (iCloud) do advogado Willer Tomaz, que figura como único proprietário da offshore. Entre o material periciado, consta uma mensagem enviada em 22 de maio de 2025 pela secretária de Tomaz à gerência do banco Santander.

Na ocasião, a funcionária solicitava o cadastramento de um novo operador principal e pedia o desligamento imediato de duas contas do contrato, uma delas em nome do senador. A instituição confirmou o atendimento do pedido logo em seguida. Para os investigadores, a troca de mensagens sugere que o acesso do político à conta esteve ativo até o momento dessa comunicação.
Uso do jato Legacy 650 e viagens internacionais
A Alcazar Holdings possuía uma fatia de 33,33% da empresa Fraction 024, detentora do jato Embraer Legacy 650. O restante das cotas estava dividido entre o empresário Laerte Cosentino e a companhia Prime You.
Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro viajou de Brasília rumo a Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, a bordo desse mesmo jato, em companhia do advogado. A PF analisa a cadeia societária do avião para checar se houve repasses indiretos ou vantagens indevidas.

A apuração também mapeou outros deslocamentos do grupo:
- Expedição à África: Em março de 2025, o parlamentar participou de um safári na África do Sul com familiares, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e Willer Tomaz.
- Emissão de Bilhetes Aéreos: A Polícia Federal identificou que a Cathedral Holding, controlada por Tomaz, intermedeou a aquisição de passagens aéreas comerciais para parentes do senador.
Uso de comunicação criptografada
A perícia no telefone do advogado encontrou registros de conversas com Flávio Bolsonaro por meio do aplicativo Confide, plataforma que destrói as mensagens logo após a leitura e impede capturas de tela. O contato de Flávio Bolsonaro estava marcado na lista de favoritos. Os agentes registraram a rotina de comunicação no processo para contextualizar a proximidade entre os investigados.
Pontos Centrais do Relatório Policial
Os dados levantados combinam movimentações bancárias e rotas de voos.
| Fato Analisado | Situação Apurada | Foco da Investigação |
| Alcazar Holdings | Empresa offshore na Ilha da Madeira | Detentora de um terço do jato Embraer Legacy 650 |
| Acesso Bancário | Perfil “Usuário Master” no Santander | Apura extensão do controle financeiro sobre a conta |
| Mensagem em 2025 | Pedido de desvinculação das contas | Registra o encerramento do acesso do senador ao contrato |
| Voos e Passagens | Trechos para EUA, África e voos comerciais | Analisa eventual custeio privado de viagens pessoais |
“A verificação das conexões indiretas e estruturas societárias do avião é fundamental para esclarecer se houve vantagens não declaradas oferecidas a agentes públicos”, aponta o documento da Polícia Federal.
Manifestações de Flávio Bolsonaro e da defesa

A assessoria de Flávio Bolsonaro rejeitou integralmente os apontamentos da Polícia Federal. Em nota, o candidato afirmou que jamais operou ou possuiu conta bancária vinculada a Willer Tomaz ou a empresas do advogado. O senador destacou que o próprio e-mail anexado ao processo comprova que a inclusão do seu nome tratava-se de um erro que precisou ser corrigido pela equipe do banco. Ele repudiou o vazamento de dados durante a corrida presidencial e informou que tomará as medidas judiciais cabíveis.
Willer Tomaz declarou que sua relação com o parlamentar restringe-se à amizade pessoal, negando a existência de negócios ou sociedade oculta. O advogado classificou as conclusões dos agentes como ilações e afirmou que os arquivos foram extraídos de seu celular por meio de um vazamento ilegal com fins de interferência eleitoral.