PF investiga acesso com perfil master de Flávio Bolsonaro

Relatório da PF aponta que Flávio Bolsonaro figurou como usuário master em conta de offshore portuguesa no Santander

Crédito: Reprodução

Relatórios internos de inteligência da Polícia Federal trouxeram à tona a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos cadastros de uma instituição bancária europeia. Ele constava como “usuário master” de uma conta mantida pela offshore Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira (Portugal). A empresa detinha participação direta na propriedade de uma aeronave executiva utilizada pelo parlamentar em viagens internacionais. As informações foram divulgadas pela jornalista Malu Gaspar em matéria publicada pelo jornal O Globo.

Cadastro bancário, perfil de acesso e cancelamento no Santander

A qualificação de “usuário master” em sistemas bancários dá ao titular plenos poderes de gerenciamento, permitindo movimentações e consultas operacionais. Por conta dessa prerrogativa, a equipe de investigação trabalha com a linha de apuração de que o congressista possa ter mantido um papel de sócio oculto ou beneficiário econômico da firma, embora não exista comprovação formal de sociedade em seu nome.

A descoberta ocorreu após o cruzamento de arquivos armazenados no serviço de nuvem (iCloud) do advogado Willer Tomaz, que figura como único proprietário da offshore. Entre o material periciado, consta uma mensagem enviada em 22 de maio de 2025 pela secretária de Tomaz à gerência do banco Santander.

Santander
Divulgação

Na ocasião, a funcionária solicitava o cadastramento de um novo operador principal e pedia o desligamento imediato de duas contas do contrato, uma delas em nome do senador. A instituição confirmou o atendimento do pedido logo em seguida. Para os investigadores, a troca de mensagens sugere que o acesso do político à conta esteve ativo até o momento dessa comunicação.

Uso do jato Legacy 650 e viagens internacionais

A Alcazar Holdings possuía uma fatia de 33,33% da empresa Fraction 024, detentora do jato Embraer Legacy 650. O restante das cotas estava dividido entre o empresário Laerte Cosentino e a companhia Prime You.

Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro viajou de Brasília rumo a Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, a bordo desse mesmo jato, em companhia do advogado. A PF analisa a cadeia societária do avião para checar se houve repasses indiretos ou vantagens indevidas.

Senador Flávio Bolsonaro
Lula Marques/Agência Brasil

A apuração também mapeou outros deslocamentos do grupo:

  • Expedição à África: Em março de 2025, o parlamentar participou de um safári na África do Sul com familiares, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e Willer Tomaz.
  • Emissão de Bilhetes Aéreos: A Polícia Federal identificou que a Cathedral Holding, controlada por Tomaz, intermedeou a aquisição de passagens aéreas comerciais para parentes do senador.

Uso de comunicação criptografada

A perícia no telefone do advogado encontrou registros de conversas com Flávio Bolsonaro por meio do aplicativo Confide, plataforma que destrói as mensagens logo após a leitura e impede capturas de tela. O contato de Flávio Bolsonaro estava marcado na lista de favoritos. Os agentes registraram a rotina de comunicação no processo para contextualizar a proximidade entre os investigados.

Pontos Centrais do Relatório Policial

Os dados levantados combinam movimentações bancárias e rotas de voos.

Fato AnalisadoSituação ApuradaFoco da Investigação
Alcazar HoldingsEmpresa offshore na Ilha da MadeiraDetentora de um terço do jato Embraer Legacy 650
Acesso BancárioPerfil “Usuário Master” no SantanderApura extensão do controle financeiro sobre a conta
Mensagem em 2025Pedido de desvinculação das contasRegistra o encerramento do acesso do senador ao contrato
Voos e PassagensTrechos para EUA, África e voos comerciaisAnalisa eventual custeio privado de viagens pessoais

“A verificação das conexões indiretas e estruturas societárias do avião é fundamental para esclarecer se houve vantagens não declaradas oferecidas a agentes públicos”, aponta o documento da Polícia Federal.

Manifestações de Flávio Bolsonaro e da defesa

LIDE Grande ABC organiza encontro com Flávio Bolsonaro em Santo André
Divulgação

A assessoria de Flávio Bolsonaro rejeitou integralmente os apontamentos da Polícia Federal. Em nota, o candidato afirmou que jamais operou ou possuiu conta bancária vinculada a Willer Tomaz ou a empresas do advogado. O senador destacou que o próprio e-mail anexado ao processo comprova que a inclusão do seu nome tratava-se de um erro que precisou ser corrigido pela equipe do banco. Ele repudiou o vazamento de dados durante a corrida presidencial e informou que tomará as medidas judiciais cabíveis.

Willer Tomaz declarou que sua relação com o parlamentar restringe-se à amizade pessoal, negando a existência de negócios ou sociedade oculta. O advogado classificou as conclusões dos agentes como ilações e afirmou que os arquivos foram extraídos de seu celular por meio de um vazamento ilegal com fins de interferência eleitoral.

  • Publicado: 14/10/2026 10:46
  • Alterado: 14/10/2026 10:46
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: ABC do ABC