Senado deve votar hoje PEC que acaba com a escala 6x1
O Senado Federal decide nesta quarta o futuro da jornada de trabalho no Brasil com acordo que uniu governistas e oposição antes da eleição.
- Publicado: 14/10/2026 07:21
- Alterado: 14/10/2026 08:20
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O Senado Federal vota nesta quarta-feira a proposta de emenda à Constituição que decreta o fim da escala 6×1. Governistas e oposição construíram um acordo unificado para aprovar a matéria de forma definitiva. O regimento exige cinco dias úteis de intervalo e três sessões de discussão, mas os parlamentares articulam um requerimento de urgência para contornar essas travas temporais.
A meta do Congresso Nacional é promulgar o texto até quinta-feira, dia 22 de outubro, na reta final das campanhas municipais. O calendário reflete a tentativa de diversos grupos políticos de capitalizar os dividendos eleitorais gerados por uma medida de alto apelo popular.
Lula foca no eleitorado empreendedor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou a mobilização nacional sobre os direitos trabalhistas em um ativo para dialogar diretamente com os microempreendedores individuais. O governo explorou a mudança de postura da oposição como uma vitória política da própria pauta progressista.
“Se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos direitos do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo”, ressaltou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Planalto exige a manutenção integral da renda dos trabalhadores durante todo o processo de transição. A votação decisiva de hoje no plenário do Senado sacramenta a extinção da escala 6×1 e consolida a maior reestruturação nas dinâmicas de contratação do país nas últimas décadas.
Flávio Bolsonaro apoia fim da escala 6×1

A forte pressão da opinião pública e o desgaste acentuado nas redes sociais alteraram a rota do Partido Liberal. A legenda havia esvaziado a primeira sessão de debates no dia 6 de outubro e acusado o governo de oportunismo tático. O cenário mudou radicalmente nas últimas horas.
O senador Flávio Bolsonaro reverteu sua posição original logo após uma reunião com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A sobrevivência política da direita parlamentar diante do engajamento massivo da classe trabalhadora motivou o recuo estratégico.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1, então vou votar a favor”, declarou o senador Flávio Bolsonaro.
O parlamentar condicionou a alteração constitucional da escala 6×1 à criação de compensações financeiras federais. A cúpula do partido argumenta que o impacto da mudança sem subsídios estatais sufocará o setor produtivo. Um texto alternativo de autoria do senador Rogério Marinho propõe a flexibilização de horários atrelada à redução proporcional dos salários, modelo totalmente rechaçado pela base governista.
Cronograma da nova jornada de trabalho

O texto validado pela Comissão de Constituição e Justiça em 2 de setembro estipula a redução das horas semanais de 44 para 40 horas. O novo formato obriga a concessão de dois dias de folga remunerada na semana. A legislação orienta que um desses repousos aconteça preferencialmente aos domingos.
As empresas ganharam um prazo de adaptação desenhado em duas etapas para diluir o choque financeiro na folha de pagamento. A transição impõe a redução para 42 horas em dois meses de forma imediata após a promulgação. O limite cai para o teto definitivo de 40 horas em um ano.
A futura regra da escala 6×1 prevê uma blindagem específica voltada para cargos de alta remuneração. As novas amarras não atingem os trabalhadores com ensino superior que ganhem mais de R$ 21.188 por mês. Esse corte financeiro corresponde a uma renda superior a 2,5 vezes o teto de benefícios do INSS.