Novíssimo Edgar inaugura o projeto REWIND

Novíssimo Edgar afirma a potência da performance periférica em REWIND

Crédito: Vicente Otavio

Antes de lançar oficialmente seu próximo álbum, Novíssimo Edgar inicia o ciclo do projeto REWIND com uma live session gravada na Casa Líquida, em São Paulo. O registro audiovisual, que apresenta o artista ao lado do DJ Kazvmba e de Matilde nos backing vocals, não busca explicar a obra de forma didática, mas sim estabelecer a atmosfera e a presença que definem este novo momento de sua carreira. A performance funciona como uma porta de entrada sensorial, resgatando a centralidade da experiência musical e marcando o retorno de Edgar às suas raízes nos sound systems periféricos, utilizando o reggae e o dub como linguagens fundamentais para organizar o corpo e a cena.

Para o artista, a escolha de iniciar essa experiência através da imagem é uma resposta ao cenário contemporâneo de saturação visual e narrativas líquidas. Edgar questiona quem detém o controle dessas imagens em uma era de disputa por atenção e volume, propondo que o trabalho seja não apenas ouvido, mas presenciado. A direção criativa do projeto ancora sua estética nas apresentações ao vivo, em diálogo direto com a força da cultura de paredões, onde a imagem nasce organicamente da circulação do som no espaço. O resultado é um registro com nuances documentais que reforça o REWIND como uma necessidade de retorno à escuta e às origens periféricas que hoje pautam tendências internacionais.

Na live session, Novíssimo Edgar apresenta as faixas Je suis défoncé e Comme une flèche, que servem como síntese do espírito do projeto. A primeira, uma peça instrumental, coloca a escaleta em destaque para dialogar com as tradições do dub. Já a segunda, interpretada em francês, revela a pesquisa do artista com diferentes idiomas e sublinha o caráter coletivo do trabalho em parceria com Matilde. Juntas, essas composições oferecem uma amostra do vasto território estético que o disco pretende aprofundar, reafirmando a potência da performance como um espaço de disputa e afirmação das artes que nascem nas margens.

  • Publicado: 25/03/2026 09:10
  • Alterado: 25/03/2026 09:11
  • Autor: Larissa Rodrigues
  • Fonte: ABCdoABC