Museu da Inclusão celebra 80 anos da Fundação Dorina Nowill
Exposição sensorial “Pontos de História” apresenta obras em braille e homenageia trajetórias ligadas à inclusão e à acessibilidade
- Publicado: 12/03/2026 13:04
- Alterado: 12/03/2026 13:04
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: SEDPcD
O Museu da Inclusão, em São Paulo, recebe a partir de 13 de março a exposição “Pontos de História – 80 anos enxergando além do que se vê”, mostra que celebra as oito décadas de atuação da Fundação Dorina Nowill para Cegos. A iniciativa propõe ao público uma experiência sensorial que valoriza a acessibilidade e a diversidade de percepções por meio da arte e da memória.
A exposição reúne 13 totens interativos com obras construídas em braille, que formam imagens únicas inspiradas nas histórias de pessoas que ajudaram a construir a trajetória da instituição ao longo de oito décadas. Cada obra apresenta uma narrativa visual e tátil que conecta visitantes às experiências de personagens reais ligados à fundação.
A proposta da mostra é convidar o público a experimentar a arte a partir de diferentes sentidos, ampliando a percepção sobre inclusão e acessibilidade cultural. Cada ponto em relevo presente nas obras carrega palavras, memórias e afetos, formando imagens que simbolizam histórias marcantes da instituição.
Exposição destaca o legado da Fundação Dorina Nowill para Cegos

A escolha do mês de março para a abertura da exposição também possui significado simbólico. Além de marcar os 80 anos da Fundação Dorina Nowill para Cegos, o período reforça a importância do legado de Dorina Nowill, educadora e ativista que criou uma das instituições mais importantes do país voltadas às pessoas com deficiência visual.
Ao longo da mostra, o público poderá conhecer histórias reais que fizeram parte da construção da fundação. Entre os homenageados estão a própria Dorina Nowill, o cartunista Mauricio de Sousa, além da personagem Dorinha, criada pelo artista em homenagem à fundadora.
A exposição também destaca trajetórias de voluntárias, colaboradoras e seis pessoas atendidas pela Fundação Dorina Nowill para Cegos, que representam diferentes momentos da história da fundação. O espaço expositivo inclui ainda painéis com linha do tempo, fotografias históricas, frases marcantes e um vídeo institucional, todos acompanhados de recursos de audiodescrição, garantindo acessibilidade para visitantes com deficiência visual.
Para o secretário estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, a mostra representa uma forma simbólica de reconhecer o impacto da Fundação Dorina Nowill para Cegos na sociedade brasileira. “Celebrar os 80 anos da Fundação Dorina Nowill para Cegos é celebrar décadas de luta por um Brasil mais justo para as pessoas com deficiência visual. Esta exposição honra esse legado de uma forma que só a arte é capaz: tocando, literalmente, quem a experimenta. É uma alegria ver o Museu da Inclusão abrigar uma iniciativa tão alinhada com tudo que acreditamos e trabalhamos para construir”, afirmou.
Braille como linguagem artística
O conceito criativo da exposição foi desenvolvido pelos jovens profissionais Gustavo Gibelli e Vitor Maurilio, vencedores do concurso Young Lions Brazil 2025, iniciativa que funciona como porta de entrada para talentos que buscam projeção no Cannes Lions International Festival of Creativity.
Na proposta dos criadores, o braille ultrapassa sua função tradicional de leitura e passa a atuar como uma linguagem artística e narrativa. Cada ponto em relevo representa fragmentos de histórias e experiências que, quando combinados, formam imagens carregadas de significado.
Assim, a acessibilidade deixa de ser apenas um recurso técnico e passa a ser parte central da experiência cultural, convidando o público a refletir sobre novas formas de perceber e interpretar o mundo.
Programação inclui encontro sobre leitura inclusiva
Além da exposição, o espaço receberá o Talk Show da Rede de Leitura Inclusiva, atividade que integra o III Encontro Nacional da Rede de Leitura Inclusiva. O evento reunirá mulheres que atuam em diferentes áreas ligadas à transformação social e à promoção da acessibilidade.
A programação acontece das 8h30 às 12h30 e contará com depoimentos, homenagens e uma conversa mediada pela atriz Martha Nowill, neta de Dorina Nowill.
Entre as convidadas confirmadas estão a velejadora e escritora Heloisa Schurmann, além das escritoras Iris Figueiredo e Majori Silva. Também participa Regina Caldeira, assessora institucional de braille da Fundação Dorina e uma das colaboradoras mais antigas da instituição.
Mais do que revisitar o passado, a exposição propõe uma reflexão sobre o futuro da cultura inclusiva. Ao transformar o braille em linguagem artística, “Pontos de História” convida o público a perceber que a cultura pode ser construída a partir da diversidade de sentidos e experiências humanas.
Serviço: Exposição: Pontos de História – 80 anos enxergando além do que se vê (Fundação Dorina Nowill para Cegos)
Local: Museu da Inclusão – Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Endereço: Av. Mário de Andrade, 564 – Barra Funda – São Paulo/SP
Abertura oficial: 13 de março de 2026, às 8h30
Período: 13 de março a 8 de maio de 2026
Visitação: segunda a sexta-feira, das 10h às 17h
Entrada: gratuita
Realização: Fundação Dorina Nowill para Cegos
Criação: Gustavo Gibelli e Vitor Maurilio (Young Lions Brazil 2025)